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Skank lança segunda música inédita de álbum novo em março

O tecladista da banda, Henrique Portugal, fala sobre as estratégias de divulgação dos materiais do grupo, a relação com os fãs, tecnologia e modernidade


Créditos da imagem: Diego Ruahn
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Redação Sou BH
22/01 às 19:03
Atualizado em 01/02 às 17:01

Durante um evento corporativo, enquanto se prepara para uma palestra sobre tecnologia, música e a trajetória do Skank ao longo de 20 anos, Henrique Portugal senta para adiantar um pouco do conteúdo e contar quais são os planos da banda para 2019. Vinte minutos depois, levanta e conclui: “Filosófico, né?”

Não tinha como não ser. 

Falar do que está previsto para o primeiro semestre do ano que começou é fácil: o Skank vai continuar divulgando Os Três Primeiros, álbum lançando em outubro de 2018, reunindo as três obras iniciais do grupo (Skank, Calango e Samba Poconé); vai trabalhar a segunda música inédita do projeto, Beijo na Guanabara, a partir de março, e seguir em turnê pelo país.

Ilustração: Emerson Camaleão / Projeto gráfico: Marcus Barão

Também é simples e rápido para Henrique descrever os próximos passos do trio Nie Meyer, que montou com o baixista, Lelo Zanetti, e o DJ Anderson Noise. A música Viking, gravada por Milton Nascimento, ganhará três versões remixadas até o meio do ano. Ainda no primeiro semestre, tem canção nova com participação de Ben Taylor, filho da cantora Carly Simon e do compositor James Taylor.

E onde entra a filosofia? Nas reflexões sobre as novas estratégias de divulgação da banda e a relação atual com os fãs.

Modernidade Líquida

Pensar sobre a mudança na forma como as pessoas convivem com a música é filosofia pura para Henrique Portugal. Tudo a ver com o conceito de modernidade líquida do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. As relações, o conhecimento, e a forma de ‘ler’ o mundo (ou de ouvir música) estão mesmo mais fluidas.

“É o momento de lançar tudo fatiado. As pessoas têm pressa demais, você consegue pouca atenção”, diz o músico.

De agosto do ano passado (quando apresentaram Algo Parecido - outra música inédita de Os Três Primeiros) até o momento, foram várias ‘fatias’ de Skank. A banda lançou 3 EPs com canções e vídeos de cada álbum.


Henrique Portugal em palestra no Espaço Sou BH / Foto: Diego Marques

De volta ao começa

Henrique lembra que esse tipo de lançamento fragmentado foi muito comum até a década 60, quando ainda era caro e difícil gravar um long play, e voltou à moda porque a relação do público com a música mudou.

“A disponibilidade da música através do formato digital gerou uma infidelidade artística porque, hoje, você não escuta mais um álbum de um artista. Você escuta só aquela canção, aí você pula para outra canção, que é de outro artista. [...] As pessoas eram mais fieis por causa do modelo econômico. Hoje, não, têm mais liberdade, o famoso acesso, e isso muda completamente a forma como os artistas criam. Mas nós, do Skank, continuamos acreditando no formato álbum porque a gente acha que você constrói uma história temporal quando você faz um álbum.”

E a conversa vai longe quando o músico começa a refletir sobre as vantagens e desvantagens desses novos tempos. Ele mesmo, curioso e interessado por outras áreas (tanto que é economista e produtor rural, além de tecladista do Skank), valoriza a facilidade com que obtemos informações e o desapego da nova geração, que não precisa acumular meios físicos (discos, cds etc.) para ter acesso aos conteúdos.

O que incomoda é a falta de profundidade e a ilusão de que tudo seja substituível e descartável.

“Existem as crises e as crises fazem com que as pessoas percam a referência das coisas e queiram voltar à sua origem. Não sei se quem tá lendo já teve essa sensação, de acordar em algum lugar e falar: ‘Onde eu estou?’ Para mim, quando eu acordo assim, em algum hotel, eu falo, ‘tá na hora de voltar pra casa’ e a questão é: ‘Onde é a sua casa?’ Até os drones, quando a bateria acaba, sabem onde é a base.”

Talvez por isso o novo show seja um sucesso e esteja trazendo tanto prazer à banda.

“Tá muito bacana porque como a gente toca música dos três primeiros álbuns, as pessoas adoram. Elas vão pro show, cantam todas as músicas...Aí, também vai uma garotada nova que ‘descobre’ as músicas dos primeiros álbuns porque, afinal de contas, são álbuns que têm, pelo menos, 20 anos de lançamento”, conta.

É o Skank e o público, voltando juntos para casa. 

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