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Menos de 15% dos belo-horizontinos confiam na segurança da cidade

Ainda assim, o primeiro semestre deste ano teve queda no registro de crimes violentos em comparação ao mesmo período de 2016


Créditos da imagem: Adão de Souza
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Redação Sou BH
23/08/17 às 15:15
Atualizado em 01/02/19 às 17:05


Foto: Adão Souza/Divulgação PBH

Por Camila Saraiva

Você se sente seguro em BH? Fica tranquilo ao andar pelas ruas da cidade? Pois apenas um a cada sete belo-horizontinos confia na segurança pública da capital mineira. Menos de 10% dos moradores acreditam muito nas forças de segurança preventiva para garantir seu bem-estar - 9,5% na Polícia Militar e 5,2% na Guarda Municipal. 

Os números que indicam uma Belo Horizonte amedrontada foram divulgados em pesquisa exclusiva feita pela empresa Opinion Box. A sensação apontada pelo levantamento contrasta com a principal bandeira da gestão de Alexandre Kalil (PHS) na área de segurança: a queda no número de crimes violentos em BH após uma atuação mais ostensiva da Guarda Municipal, antes focada apenas na segurança patrimonial. 

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No último mês divulgado pela Sesp (Secretaria de Estado de Segurança Pública), junho, a capital mineira apresentou uma queda de 21% em comparação com o mesmo período de 2016: de 3.713 para 2.914. Em ocorrências menos graves, como furto e lesão corporal, Belo Horizonte também registrou diminuição. Mas por que, então, o belo-horizontino continua com medo? 

“A nova postura dos guardas municipais, em conjunto com o trabalho ostensivo da Polícia Militar, explica a queda no índice de crimes mais violentos nesse primeiro semestre do ano em Belo Horizonte. Mas, se comparada aos últimos cinco anos, a queda não representa muita coisa, é pequena e recente. Esses crimes estão em patamares elevados há muitos anos", explica ao Sou BH o coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública da PUC Minas, Luis Flávio Sapori. 

"Então é totalmente compreensível essa sensação de insegurança”, conclui o especialista. De fato, quando considerados apenas os números absolutos, este ano mantém taxas mais altas do que anos anteriores a 2014. Comparados os meses de junho deste ano com o de 2012, houve um aumento de 35%. Em janeiro, a quantidade de crimes violentos foi mais do que o dobro de cinco anos atrás. 

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Para a Guarda Municipal, a sensação de insegurança é abstrata e construída sem levar em consideração "parâmetros objetivos para avaliar esta mesma segurança". "Não se fundamenta em dados estatísticos para tal, o que faz com que a percepção dos moradores não seja alterada positivamente, mesmo quando há queda nos números da violência", explica em nota a assessoria da Secretaria Municipal de Segurança Urbana.  

Já a Polícia Militar justifica o baixo índice ao apontar sentimento generalizado de insegurança no mundo todo, principalmente quando acontece algum ato de violência de grandes proporções em qualquer país. "A conexão de informações, a mídia atuando de forma rápida, trazendo notícias do mundo todo a qualquer momento, contribui para a sensação de insegurança e medo mesmo estando longe do foco", afirma o major Flávio Santiago, chefe de comunicação da Polícia Militar. 

Nova gestão

Alexandre Kalil iniciou o mandato com mudanças na postura da Guarda Municipal em BH. Nesse modelo ativo e preventivo, três operações já foram instauradas na tentativa de barrar a criminalidade na cidade: Operação Viagem Segura, realizada dentro de algumas linhas de ônibus; Operação Sentinela, que se resume ao patrulhamento em praças; e Operação Flanelinha, que trabalha na tentativa de coibir a ação de clandestinos que se apresentam como cuidadores de carros.

Apesar da prefeitura creditar quedas nos índices de criminalidade à nova função, especialistas contemporizam e alertam para a necessidade de mais tempo e dados para tirar alguma conclusão. "A presença ativa dos guardas ainda é recente e insuficiente para mudar a sensação de insegurança. E ainda não temos um dado, uma análise que explica a correlação direta entre a queda nos crimes neste ano com a ação da Guarda Municipal. É tudo muito novo", afirma Camila Cardeal, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Segurança Pública da Fundação João Pinheiro. 

Questionada, a Polícia Militar vê com bons olhos a postura mais preventiva dos guardas, mas faz questão em receber os louros pela diminuição na quantidade de crimes na capital mineira. "A grande protagonista nesses primeiros seis meses é a força de segurança do Estado. A Guarda Municipal é um bom coadjuvante neste processo", afirma o major.

Pesquisa

A pesquisa que aponta a sensação de insegurança em BH foi realizada de 7 a 11 de agosto de 2017 com 400 moradores de todas as regiões de Belo Horizonte, entre homens e mulheres, de todas as classes.  A Opinion Box é um empresa que desenvolve soluções digitais para pesquisas de mercado e coleta de dados primários. O trabalho é todo baseado em informações de credibilidade e segurança.



Reprodução/Opinion Box

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