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Reforma do Ensino Médio: entenda as principais mudanças da nova adaptação

Especialista analisa e esclarece dúvidas sobre as reais alterações e as motivações da Reforma do Ensino Médio



Créditos da imagem: Fizkes/shutterstock
Main destaque fizkes
Redação
08/09 às 15:39
Atualizado em 08/09 às 15:39

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que determina quais são as aprendizagens essenciais que todo estudante brasileiro, tanto de escolas públicas quanto de privadas, devem desenvolver ao longo da Educação Básica. Aprovada em 2017, a parte da BNCC para a Educação Infantil e Ensino Fundamental já está em fase de implementação em todo o país. Já a parte do Ensino Médio foi aprovada pelo Conselho Nacional de Educação e homologada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) em dezembro de 2018, e agora, as escolas correm para se adaptar à Reforma do Ensino Médio, que deve estar implementada até o início do ano letivo de 2022.

Porém, apesar dos educadores já estarem familiarizados e preparados para atuar dentro desse novo contexto pedagógico, pais, responsáveis e até os jovens que estão chegando ao Ensino Médio, ainda têm dúvidas sobre o que muda e quais os reais benefícios dessa adaptação. Claudio Sassaki, mestre em Educação pela Universidade de Stanford e cofundador da Geekie, esclarece os principais pontos. 

Segundo Sassaki, a motivação para implementar a Reforma do Ensino Médio tem base em análises do desempenho dos estudantes, conduzidas por organizações como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). De acordo com os resultados, no Brasil, 43% dos estudantes ficaram abaixo do nível básico de proficiência em três áreas avaliadas, sendo 55% em Ciências, 68% em Matemática e 50% em Leitura, o que reforçou a necessidade de questionar o ensino e buscar novas formas para gerar experiências de aprendizagem capazes de elevar esses resultados de aprendizado. “Esses números mostram que 50% dos nossos jovens não conseguem identificar a ideia principal em um texto de extensão moderada; mais da metade não consegue interpretar e reconhecer a explicação correta de fenômenos científicos familiares. Então, a nossa forma de ensinar não está endereçando os desafios da aprendizagem. Essa reflexão explica a necessidade de repensar e remodelar a educação no Brasil”, detalha.

Cláudio ainda dá destaque para o quadro grave de evasão escolar no Brasil. É um desafio para os educadores superar a falta de interesse dos estudantes, e currículos que geram interesse e novas possibilidades de estudo podem ser uma saída. De acordo com o especialista, se antes o aluno percorria três séries do Ensino Médio com um currículo fechado e sem opções, com a reforma, ele poderá criar diversos ambientes de aprendizagem, ou seja, pode escolher algumas disciplinas. “Com a pandemia há uma preocupação muito grande que esse processo de abandono da sala de aula se acentue. Nesse sentido, a Reforma do Ensino Médio – que oferece ao aluno a possibilidade de escolher disciplinas em sintonia como o plano de vida desse estudante – pode transformar essa relação com a escola; acredito que aumentará a percepção de valor e sentido no aprender”, avalia o especialista.

Para Sassaki existem três principais mudanças na Reforma do Ensino Médio, e todas elas estão atreladas ao objetivo de trazer mais protagonismo aos jovens, garantindo o exercício dos direitos de aprendizagem. A primeira é a ampliação da carga horária de 2.400 para 3.000 horas até o início do ano letivo de 2022; a segunda, a elaboração dos currículos com conteúdos norteados pela Base Nacional Comum Curricular; e, por último, os estudantes podem selecionar caminhos distintos de formação, optando pelos que estão mais em sintonia com os projetos de vida deles.

No site do MEC também é possível conhecer e tirar dúvidas sobre a Reforma, com vídeos, perguntas e respostas, e documentos para download. 

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