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Campanha reforça importância da doação de órgãos

Em Minas, mais de 4,5 mil pessoas esperam na fila para realizar transplante



Créditos da imagem: SewCream/shutterstock
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Redação
18/09 às 09:45
Atualizado em 18/09 às 09:45

Doar órgãos pode salvar vidas, e deixar claro para seus familiares que tem interesse em ser doador é fundamental. Em setembro, mês que é comemorado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, no dia 27, a importância da doação de órgãos ganha reforço, se tornando ainda mais forte neste ano de pandemia, em que o MG Transplantes registrou queda de 27% em órgãos doados em comparação ao primeiro semestre do ano passado.

 

De janeiro a agosto foram doadas 363 córneas, 43 escleras, 127 medulas ósseas, 340 rins, 32 corações, 6 fígados/rins, 88 fígados, 11 rins/pâncreas e 3 pâncreas. Um total de 1013 órgãos, contra 1539 doações no mesmo período de 2019. A queda em Minas Gerais, no entanto, é bem menos expressiva que em outros estados do país, como os das regiões Norte e Nordeste.

 

O diretor do MG Transplantes, Omar Lopes Cançado Junior, explica que o baixo número de doações coincide exatamente com o período da pandemia do coronavírus. “O afastamento social impediu as pessoas de saírem às ruas e, com isso, refletiu na diminuição do número de acidentes e traumas em 45%, além das pessoas terem contraído menos doenças em geral”. Ele explica, ainda, que muitos possíveis doadores tiveram que ser excluídos. “Pessoas com qualquer suspeita de doença respiratória eram, automaticamente, excluídas da possibilidade de ser doador, independentemente de o quadro ter sido relacionado à covid-19”.

 

Omar afirma que a campanha Setembro Verde pode ajudar nesse processo. “A campanha é importante exatamente para conscientizar e sensibilizar a população sobre a necessidade da doação de órgãos. É preciso conversar sobre o assunto com família e amigos, afinal uma única pessoa pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de até 11 pessoas que estão na fila de espera por um órgão. Se acrescentarmos os tecidos como pele, ossos, tendões e valvas cardíacas, esse número sobe para dezenas”, ressalta o diretor do MG Transplantes. Isso porque, no caso de doador falecido, podem ser retirados para transplante até dois rins, dois pulmões, duas córneas, intestino, fígado, pâncreas, coração, pele, ossos e tendões.

 

Atualmente, 4.572 pessoas aguardam na fila para realizar o transplante de algum órgão, em Minas Gerais. A maior espera é para o transplante de rim, com 2863 pessoas na fila, seguida pelos 1545 pacientes que necessitam de córnea e pelos 53 que aguardam transplante de fígado.

 

O Brasil possui o maior sistema público de transplantes no mundo, sendo responsável, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), pelo financiamento de cerca de 92% dos procedimentos.  Além disso, o país é o segundo em número absoluto de transplantes, ficando atrás somente dos Estados Unidos.

 

No entanto, os números poderiam ser ainda melhores se os familiares autorizassem as doações. Atualmente, cerca de 30% das famílias recusam a retirada de órgãos para a doação. No Brasil, só quem pode autorizar a doação de órgãos são os parentes até segundo grau, ou seja: pai ou mãe, filhos, avós, netos ou cônjuges. “Por isso, é tão importante expressar, para os parentes mais próximos, a vontade de ser um doador”, afirma Omar.

 

Além da autorização familiar, algumas outras questões também podem dificultar a doação, como explica o diretor. “Além da solidariedade das pessoas para autorizarem a doação, os principais desafios no processo são a identificação de possíveis doadores nos hospitais e a realização do protocolo de morte encefálica. Além disso, neste momento da pandemia, é necessária a realização de uma série de exames para evitar a transmissão do coronavírus”, finaliza.

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