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Site concilia viagem e trabalho temporário

Turista troca diárias por horas de serviço em hostel


Créditos da imagem: Divulgação
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O Worldpackers é comandado por dois brasileiros, Eric Faria (direita) e Ricardo Lima (esquerda)
Redação Sou BH
08/11/17 às 16:27

Por Daniela Maciel, do Diário do Comércio

Os albergues são uma opção popular de hospedagem barata em todo o mundo mas, mesmo assim, muitas pessoas não conseguem arcar com os custos das diárias. De outro lado, os albergues ou hostels, assim como os empreendimentos hoteleiros tradicionais, sofrem na baixa temporada para manter um nível de ocupação suficiente para sustentar o negócio.

Da necessidade das duas pontas surgiu uma opção: a troca de diárias por horas de trabalho - o hóspede oferece horas de trabalho em uma atividade que o hostel tenha interesse. Dessa forma ele paga a conta e o estabelecimento garante a ocupação e diminui os custos fixos.

A modalidade, bastante comum no exterior, vem ganhando em volume com a ajuda da internet. Desde o ano passado, a plataforma Worldpackers, faz a interface entre hostels e voluntários do mundo inteiro. Sediado em São Paulo e comandado por dois brasileiros, Ricardo Lima e Eric Faria, o site cadastra hostels que aceitam receber serviços como pagamento, lista oportunidades oferecidas e de outro lado viajantes que colocam suas habilidades e conhecimentos à disposição.

"A maioria busca e oferece serviços de recepção, mas outras atividades também são comuns, como limpeza, pequenos consertos e manutenção e também muitos trabalhos de arte e fotografia. A nossa proposta é de ganha-ganha. Já começamos a receber pedidos também de pousadas e ecovilas interessadas no sistema", explica Lima.

O site, que começou a operar em fevereiro de 2013, está em inglês e já tem presença em 98 países e 40 mil usuários cadastrados. Até o fim do ano, estarão no ar as versões em português, espanhol, francês e alemão. "50% do nosso público é brasileiro. A hospedagem em hostel ainda é uma modalidade em desenvolvimento aqui. No Brasil, ainda estamos aprendendo, nos acostumando com isso e a possibilidade de trocar hospedagem por serviço é ainda mais recente. Nosso objetivo é nos tornarmos referência nesse campo", afirma o empresário. 

Minas Gerais

No Estado, já são cinco hostels cadastrados na Capital e um em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. Para os empresários de Belo Horizonte, essa é uma possibilidade de receber novos hóspedes, principalmente estrangeiros, e aumentar o intercâmbio com diferentes culturas.

No Samba Rooms Hostel, instalado no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul, há pouco mais de um ano, as experiências sempre foram boas. O sócio-fundador do Samba Rooms, Leonardo Apparício, considera a oportunidade positiva para os dois lados. "Conheci a plataforma fazendo pesquisa na internet. Essa é uma boa ideia para trazer mais gente de fora e diminuir os custos do hostel. Ainda não concluímos uma negociação pela plataforma, mas já tivemos experiências com pessoas que entraram em contato direto. Essa é uma prática comum no mundo inteiro que tem tudo para se popularizar no Brasil", destaca Apparício.

O sócio-fundador do Rock! And Hostel, Fabrício Morais, também já recebeu contatos feitos pela plataforma. A maior dificuldade para fechar a parceria com os turistas é o tempo de estadia, nem sempre compatível. "Essa opção de troca não é ainda tão comum, mas é uma ferramenta interessante para os dois lados. Muitas pessoas nos procuram diretamente e querem trabalhar na recepção ou oferecem algum tipo de arte. A cultura do albergue está crescendo no Brasil e as pessoas estão cada dia mais seguras e confortáveis com essa opção, que passa a fazer parte de um estilo de vida. Mais do que hospedagem barata, os hostels proporcionam um tipo de experiência diferente da hotelaria tradicional e a oportunidade de trocar serviços por diária pode ajudar mais pessoas", avalia Morais.

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