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PBH promete triplicar faixas exclusivas de ônibus e aumentar ciclovias

No mesmo ano em que a quantidade de ciclistas cresceu 16%, BH bateu recorde no número de veículos


Créditos da imagem: Divino Advincula/PBH
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Redação Sou BH
25/01 às 11:06
Atualizado em 01/02 às 17:43

Por Camila Saraiva

Belo Horizonte atingiu, no último mês, a marca histórica de dois milhões de veículos, quase um por pessoa, segundo o Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG). Se todo mundo resolver sair de casa com o carro na mesma hora, o trânsito trava. E esse é um dos problemas de mobilidade na capital, assim como a estrutura de ciclovias e o transporte coletivo.

Em contrapartida, o número de ciclistas aumentou 16%, segundo o censo realizado pela Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte - BH em Ciclo, em parceria com o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil). “Acreditamos que esse aumento seja resultado das pessoas buscarem formas de se deslocar na cidade após a crise de combustível, do aumento no preço da gasolina e do alto custo do transporte coletivo por ônibus”, aponta Carlos Edward, coordenador da contagem.

Para acompanhar as demandas desse público, a BHTrans conta com o Plano de Mobilidade Urbana, o PlanMob-BH, e o Plano de Ação para Mobilidade por Bicicleta, o PlanBici, que tem como objetivo fazer com que 2% dos deslocamentos diários sejam percorridos por bicicleta, - hoje a porcentagem é de 0,4. Na tentativa de alcançar esse número, a prefeitura previa a construção de 411 km de ciclovias até 2020, que somados aos atuais 86 km totalizariam quase 500 km na cidade toda.

Porém, segundo a coordenadora de Sustentabilidade e Meio Ambiente da BHTrans, Eveline Trevisan, a meta não será alcançada nesse prazo devido a indisponibilidade de recursos, mas garante que ainda neste ano será lançado um edital para iniciar os trabalhos. “O projeto prevê o estudo para a construção de mais 56,34 km da malha cicloviária em BH. Conseguimos um financiamento para o desenvolvimento do projeto no entorno de R$ 1 milhão”.

Um dos critérios para a extensão da malha cicloviária é interligar os locais onde já existem ciclovias, ciclofaixas e ciclorotas (veja abaixo as diferenças de cada uma), além de construir trajetos que alimentam os corredores de transporte público.

Ciclofaixa: não é separada do trânsito, apenas sinalização horizontal
Ciclovia: 100% separada, ou em cima da calçada ou com uma mureta de concreto
Ciclorota: indicativo de trajeto, sinalização horizontal e vertical, ou zona de compartilhamento


Mapa de 2017. Divulgação/BHTrans 

ZONAS 30

Outra medida que a prefeitura quer avançar para melhorar a segurança tanto para pedestres quanto para ciclistas, são as Zonas 30. O termo resume a ação que reduzirá a velocidade máxima local de veículos para 30 km/h em algumas regiões da cidade como Área Hospitalar (onde as intervenções já começaram), Savassi (com previsão de início ainda neste ano), e no bairro Cachoeirinha.

O projeto Zona 30 propõe também um redesenho urbano, com calçadas ampliadas e adaptadas, maior tempo de travessia nos semáforos para os pedestres, instalação de rotatória, placas indicando o compartilhamento da via por pedestres, ciclistas, motos e carros, além de pinturas no chão. 

FAIXAS EXCLUSIVAS

Outro edital deve ser lançado no próximo mês para a elaboração do projeto que prevê a implementação de mais 80 km de faixas exclusivas para o transporte coletivo em BH, que são as identificadas com uma linha azul estreita no solo. Atualmente a cidade conta com 45 km.

O gerente de planejamento da mobilidade da BHTrans, Marco Antônio Silveira, garante que a prefeitura já tem os recursos para essa fase de estudos, que tem previsão de início em fevereiro de 2019.

As novas faixas exclusivas serão elaboradas em todas as regionais da cidade, priorizando o transporte coletivo para os moradores de BH nos principais corredores de ônibus. Veja abaixo alguns locais que serão avaliados:

Venda Nova – Rua Padre Pedro Pinto
Noroeste – Avenidas: Abílio Machado, Brigadeiro Eduardo Gomes e Ivair
Leste – Ruas: Curvelo, Itajubá, Pouso Alegre, Niquelina / Avenidas: Assis Chateaubriand, Silviano Brandão e Zé Candido da Silveira
Centro-Sul – Avenidas: Andradas, Raja Gabaglia, Olegário Maciel, Afonso Pena, Cristóvão Colombo, Contorno

“A ideia é priorizar para o ônibus, se tiver que ter restrição será para o automóvel, nunca para o coletivo. O carro tem caminhos alternativos, mas o ônibus não, ele tem o itinerário cativo, porque a demanda existe naquele local”, explica Silveira.

Segundo o gerente, a estratégia não é impedir que as pessoas andem de carro, e sim incentivá-las a trocarem o transporte em trechos que podem ser percorridos a pé, de bicicleta ou de ônibus.  


Divulgação BHTrans

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