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Vale Verde ruma para os EUA e Europa

Cachaça é comercializada em todo o país, tendo como principal mercado Minas Gerais


Créditos da imagem: Divulgação
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Para 2015, mesmo com incertezas econômicas, tendência é de manutenção do crescimento
Redação Sou BH
10/03/15 às 19:05

Por Michelle Valverde do Diário do Comércio

Os investimentos constantes na qualidade da cachaça artesanal mantêm impulsionados os negócios do Grupo Vale Verde. Somente em 2014, houve expansão de 15% no volume de cachaça produzido pela empresa, alcançando 181 mil litros. A expectativa para o ano atual é manter o ritmo de crescimento. Também está nos planos para 2015 o início das exportações de cachaça artesanal para o Estados Unidos e Europa. O faturamento em 2014 alcançou R$ 11 milhões e a expectativa é de alta.

De acordo com o presidente do grupo Vale Verde, Luiz Otávio Possas Gonçalves, 2014 foi um ano positivo para a empresa, graças à combinação entre diversificação dos produtos e qualidade superior, como os principais fatores que promoveram o crescimento.

"A Vale Verde cresce ano a ano. O aumento tem sido um pouco limitado, por ser um produto artesanal cuja elaboração exige dedicação e cuidados especiais, além da cachaça passar pelo processo de envelhecimento por três anos em tonéis de carvalho. O ano passado foi muito positivo. Nosso crescimento também tem como impulso as premiações constantes que conquistamos devido à alta qualidade da cachaça", explicou.

A cachaça Vale Verde é comercializada em todo o país, tendo como principal mercado Minas Gerais. Os planos de expansão da marca incluem as exportações, principalmente para os Estados Unidos e Europa, onde a cachaça já foi registrada.

"Estamos estudando a situação para iniciar as exportações. A avaliação do mercado e a forma como vamos atuar exigem um planejamento cauteloso, uma vez que a cachaça artesanal ainda é um produto desconhecida no mercado internacional. Esse cuidado é essencial para não prejudicar o produto em mercados promissores. Nossos primeiros embarques devem ser para os Estados Unidos, queremos ingressar em um segmento diferenciado, negociando produtos mais sofisticados".

De acordo com Possas Gonçalves, em 2014, o faturamento da Vale Verde alcançou R$ 11 milhões, valor que ficou maior que em 2013, porém menor que o crescimento da produção, que foi de 15%. "O faturamento da empresa vem aumentando ao longo dos últimos anos, só que em nível menor, já que os custos e encargos tributários comprometem parte do lucro. Os impostos incidentes sobre os produtos artesanais são absurdos, o que limita o crescimento. Para 2015, mesmo com as incertezas econômicas, a tendência é de manutenção do crescimento. Nosso produto tem como principais clientes a classe A, que em períodos de crise não é muito afetado".

Em 2015, quando a empresa completa 30 anos de mercado, deverão ser lançados mais dois produtos que, por questões estratégicas, ainda não podem ser divulgados. Segundo o representante da Vale Verde, a diversificação do mix é uma das principais formas de manter a empresa em crescimento.

"Sempre estudamos o lançamento de novos produtos, o que é importante para a diversificação do mercado atendido e desenvolvimento da empresa. O Licor de Café, o Canavino e o Licor do Mestre, produtos lançados nos últimos anos, nos proporcionaram retornos muito favoráveis com a abertura de um novo nicho de atuação. Estamos esperando uma definição da economia brasileira para novos investimentos", disse.

Um dos desafios para 2015 será a gestão dos custos de produção, principalmente em relação aos gastos com a cana-de-açúcar e mão de obra, que devem ser impulsionados. "O valor pago pela cana-de-açúcar vem aumentando nos últimos anos e as medidas adotadas pelo governo para incentivar o setor sucroalcooleiro devem contribuir para um novo reajuste. Por produzirmos parte da cana utilizada, conseguimos reduzir um pouco os custos, porém, a cultura exige o emprego de mão de obra, que também está com os custos mais elevados". 

Ampaq

A alta tributação sobre a cachaça artesanal tem prejudicado o setor em Minas Gerais. A estimativa é que nos últimos anos a produção ficou estagnada em cerca de 200 milhões de litros, enquanto o fechamento dos alambiques vem crescendo. De acordo com o presidente da Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq) e da Cooperativa dos Produtores de Cachaça de Alambique da Região de Ouro Preto e Itabirito (Coopcop), Trajano Raul Ladeira de Lima, a tributação é abusiva e inviabiliza os negócios.

"Enquanto o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre a cachaça industrial começa em R$ 0,14 por litros, a cobrança sobre a artesanal, normalmente, começa em R$ 12,80 por garrafa de 700 mililitros. Em Minas Gerais, os produtores ainda pagam 18% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), o que desestimula o setor", protesta.

Em relação aos alambiques, no último levantamento oficial, feito em 2002, existiam 8,5 mil unidades distribuídas por Minas Gerais, dos quais 90% trabalhavam na ilegalidade. No Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), são 600 marcas mineiras registradas. As dificuldades em registrar uma unidade, a fiscalização acirrada e a carga tributária alta são fatores que contribuem para o alto nível de informalidade.

"Não fizemos um levantamento oficial, mas devido aos problemas enfrentados pelo setor, estimamos que o número de alambiques pode ter sido drasticamente reduzido, ficando em torno de 4 mil a 4,5 mil em todo o Estado", disse Ladeira de Lima. 

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