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Sucessão familiar no segmento de bares

Enquanto muitos estabelecimentos não resistem uma temporada, outros conseguem atravessar gerações


Créditos da imagem: Diário do Comércio
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Célio, Vagner, Marcelo e Fábio apostam na gestão familiar do Bar do Véio
Redação Sou BH
23/04/15 às 11:26
Atualizado em 01/02/19 às 17:17

Por Nádia de Assis, do Diário do Comércio

Belo Horizonte é, sem dúvida, conhecida como a capital nacional dos barzinhos, inclusive alguns moradores e visitantes da cidade adotam um lema: "Se não tem mar, bora pro bar". Contudo, enquanto muitos desses estabelecimentos abrem e fecham as portas em um curto intervalo de tempo, outros conseguem atravessar gerações e, em alguns casos, tornam-se pontos de referência e parada obrigatória para turistas. Alguns dos mais bem-sucedidos da cidade mostram que o segredo do sucesso pode estar em uma gestão familiar, dessas que passa de pai para filho.

Localizado no bairro Caiçara, região Noroeste da Capital, o Bar do Véio foi fundado há 29 anos, pelo ex-joalheiro Célio Stropp Fantini, hoje com 73 anos. No início da década de 1980, cansado da profissão que exercia, decidiu vender sua joalheria. Com o dinheiro, adquiriu um caminhão e um lote, onde até hoje funciona o bar. "Naquela época, meu pai começou a fazer carreto, mas ainda assim era preciso aumentar a renda da família", relata o filho de Célio Fantini e um dos atuais administradores, Marcelo Fantini.

Conforme ele, os quatro filhos começaram a se envolver com o negócio pouco tempo após a abertura. Célio Fantini, hoje aposentado e morador de Jaboticatubas, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), passa pelo local esporadicamente como visitante, pois a responsabilidade de gerenciar a casa é compartilhada entre os irmãos Marcelo, Célio Júnior, Vagner e Fábio.

Segundo Marcelo Fantini, embora haja alguns pontos de divergência, todas as decisões são discutidas e tomadas em conjunto. "Participamos do dia a dia do bar desde muito jovens. Por isso, todos nós conhecemos muito bem a empresa, o que ajuda bastante. Além disso, não deixamos nossas esposas e nenhuma outra pessoa de fora interferir nos negócios", ressalta.

A segunda geração do Bar do Véio mostra-se preparada para enfrentar os desafios do futuro. A última ampliação aconteceu em 2010. Com isso, o bar passou a ter 80 mesas e capacidade para atender até 300 pessoas sentadas. Marcelo Fantini observa que fatores como a lei seca e a emancipação feminina motivam o bar a focar em um público diferente daquele do começo. Por isso, desde o ano passado ele passou a funcionar também durante o almoço e, agora, a ideia é abrir um espaço infantil para atrair um volume maior de famílias. 

Mercado Central

Eliza Fonseca, a "lora" que dá nome ao Bar da Lora, passou a administrar o estabelecimento quando o pai, Paulo Fonseca, resolveu se aposentar, há 10 anos. O boteco funciona há 40 anos no Mercado Central de Belo Horizonte e, em princípio, se chamava Lumapa Bar. Em 2007, o nome foi alterado para Bar da Lora, quando Eliza Fonseca já estava há dois anos no comando da casa.

A atual gestora revela que nem sempre se interessou pelos negócios do pai. "Eu trabalhava no departamento financeiro de uma outra empresa e vinha ao bar de vez em quando. Mas, quando o meu pai disse que estava cansado, resolvi vir trabalhar aqui, o que acabou dando muito certo", comemora. De acordo com ela, o sucesso é impulsionado pela combinação de bom atendimento, cerveja gelada e tira-gosto bem preparado, com destaque para o tradicional fígado com jiló.

Ela afirma que, por enquanto, seu único filho não demonstra interesse em dar continuidade aos negócios da família. "Mas, quando eu tinha a idade dele, também não pretendia trabalhar no bar. Então, pode ser que ele ainda mude de ideia", aposta.

Eliza Fonseca diz que não pretende abrir novas unidades em outros pontos da cidade. Como o Mercado Central não permite a ampliação, a solução encontrada para atender uma clientela maior foi recuar o balcão. A empresária afirma que, com isso, já chegou a concentrar 100 clientes no bar de uma única vez, no melhor estilo "unidos venceremos", como ela bem define.

Negócio exige tempo e dedicação

O Bar do Salomão, que começou com uma pequena venda no bairro Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte em 1931, está na terceira geração. Ele foi fundado pelo sírio Jorge Abdalla e, em 1953, o negócio passou para os seus filhos Salomão Jorge e Elias. Nessa época, ele passou a ser conhecido como Bar do Salomão. À frente do negócio há cinco anos, Salomão Jorge Filho lembra que acompanha desde criança a rotina do pai.

Hoje, ele tenta estimular os dois filhos, Mateus e Bernardo, de 17 anos e 14 anos, respectivamente, a se interessarem pelo bar. Na visão dele, a transferência para as próximas gerações ajuda a garantir o futuro dos negócios, mas ele admite que ela nem sempre acontece com facilidade. "O começo costuma ser bem difícil. Isso porque, quem trabalha em bar precisa abdicar de momentos de lazer com a família, o que inclui finais de semana e feriados", pondera.

Mudança de comando 

O proprietário e fundador do bar Família Paulista, Nicola Vizioli, se prepara para passar o comando do bar para os filhos, Bianco Vizioli e Rafaelo Vizioli. Natural de São Paulo, ele veio para Minas Gerais inicialmente com o intuito de abrir uma fábrica de sapatos. Entretanto, o plano não funcionou e ele precisou pensar em alternativas. A ideia seguinte foi abrir uma casa de chás, porém, seguindo o conselho de amigos, optou pelo bar, inaugurado em 1997.

De acordo com ele, o início foi difícil. "Até 2005, quando começamos a participar dos primeiros concursos, era difícil, pois não tínhamos divulgação", recorda-se. Além do Família Paulista, que funciona na avenida Alberto Cintra, uma das vias mais movimentadas do bairro Cidade Nova (região Nordeste), ele também é responsável pela sanduicheria Nick, localizada ao lado do bar.

Vizioli explica que, para que os filhos possam pouco a pouco assumir a direção, ele reduz gradativamente o seu ritmo de trabalho. Vizioli observa que as divergências acontecem, como em todo processo de transferência. "Eu ainda sou bastante centralizador, enquanto meus filhos têm uma visão mais empresarial. Para mim, é necessário estar sempre presente para que o negócio funcione. Por isso, pelo menos dois membros da família estão sempre no bar", salienta ele, que também compartilha as tarefas com a esposa, Marisa Vizioli.

Concursos

Os dois maiores concursos de tira-gosto já chegaram aos principais bares e botecos de Belo Horizonte. Trata-se do Botecar e do Comida di Buteco. O primeiro começou em 8 de abril e se estende até 9 de maio. Ele reúne 55 estabelecimentos e os pratos elaborados devem homenagear os municípios mineiros. Já o Comida di Buteco reúne 45 bares e acontece entre os dias 10 de abril a 10 de maio. Nesse caso, as receitas participantes devem ser elaboradas com frutas.

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