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Maria das Tranças completa 70 anos com foco no seu tradicional ‘take away’

Em português pegue e leve, clientes levam suas próprias panelas para buscar frango ao molho pardo e outros pratos servidos no restaurante



Créditos da imagem: UMAMI
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Redação
08/09 às 15:37
Atualizado em 08/09 às 15:37

Um dos restaurantes ícones da culinária mineira, o Maria das Tranças, no bairro São Francisco, região da Pampulha, chega aos 70 anos em agosto com foco em uma tradição: o Trancinha. O nome carinhoso é o precursor do que hoje convencionou-se chamar de take away - serviço em que o cliente vai até o estabelecimento buscar o prato e levar para casa - mas com uma diferença: enquanto esta modalidade de delivery é uma estratégia recorrente da maioria das casas para minimizar os prejuízos nestes tempos de pandemia de coronavírus, no Maria das Tranças, o Trancinha já existe há várias décadas e é repleto de singularidades.

Segundo o empresário Ricardo Rodrigues, que faz parte da terceira geração à frente do empreendimento, o Trancinha surgiu ao acaso, em 1955, quando um cliente do restaurante, que na época tinha o nome Bolero e não Maria das Tranças, pediu uma panela emprestada para levar o tradicional frango ao molho pardo, servido no cardápio, para sua casa.  “Como cliente é rei, minha avó [dona Maria Clara, fundadora do restaurante] nem pestanejou e cedeu ao pedido. O que ninguém sabia é que dali em diante isso viraria um hábito. Várias pessoas começaram a aparecer com as suas panelas de pressão prontinhas para serem preenchidas com nosso frango quentinho”, conta Rodrigues acrescentando que o vasilhame era o mais adequado para armazenar o alimento com segurança e impedir que o molho pardo vazasse no trajeto. Nascia assim o ‘Bolerinho’, que hoje, passados 65 anos, foi rebatizado de Trancinha para acompanhar o novo nome do restaurante. 

Ainda de acordo com o neto de Dona Maria Clara, em todos esses anos, quem vai ao Maria das Tranças aos finais de semana, geralmente se depara com uma fila de clientes aguardando suas panelas serem preenchidas com as delícias da casa. “Pelo fato desse serviço ser uma tradição que praticamente nasceu com o restaurante, nossa adaptação às limitações impostas neste período de pandemia não foi tão difícil, pois felizmente o hábito do nosso público de retirar suas refeições em nossa casa, não precisou ser fomentado, já vem de longa data”, revela Ricardo acrescentando que o estabelecimento chegava a servir, antes da pandemia, uma média de 10 mil refeições/mês, 20% deles só por meio do Trancinha. “Em várias famílias, a panela e até a sacola que o cliente traz para buscar a refeição passou de pai para filho.  Fazemos parte da história desses clientes e somos um exemplo de que a memória afetiva é muito importante para a relação que as pessoas têm com os bares e restaurantes”.

Atualmente, não só o frango ao molho pardo faz parte do Trancinha como também outros pratos do restaurante, entre eles o frango empanado; o frango inteiro com quiabo e a versão ao molho de pequi.

O sexagenário take away da casa oferece ainda os seguintes acompanhamentos: arroz; quiabo; e angu. Caso o cliente não consiga levar seu vasilhame pode adquirir as embalagens especiais do Maria das Tranças para viagem. A grande, que acomoda um frango inteiro, custa R$ 4,90. Já a pequena, ideal para os acompanhamentos, pode ser adquirida por R$ 4,60.

Como o estabelecimento ainda não pode reabrir, devido à pandemia e determinações da Prefeitura de Belo Horizonte, por enquanto a comemoração e o foco ficam por conta do trabalho em cima do Trancinha. “Esperamos, em breve, comemorar essa importante data com nossos clientes”, afirma Ricardo acrescentando que o Maria das Tranças também está nas plataformas convencionais de delivery, como o Ifood, Uber Eats e Happy. “Ele corresponde a 15% de todo o nosso faturamento mensal e é bastante estruturado.”

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