FecharX

Uma artista para além das montanhas de Minas Gerais

Com mais de 60 anos de carreira, Yara Tupynambá inaugura nova exposição na Errol Flynn Galeria de Arte


Créditos da imagem: Leo Lara
Main capa yara tupynamb%c3%a1 foto leo lara  mg 6036
Júnior Castro
21/06 às 17:05
Atualizado em 24/06 às 16:31

Café e prosa! Circundada por telas, quadros e obras de arte, Yara Tumpinambá recebeu o Sou BH em casa para um bate-papo descontraído sobre vida e carreira. A artista plástica está em cartaz na Errol Flynn Galeria de Arte com a exposição “Yara Tupynambá – Uma vida na arte – Obras de 1957 a 2019” até 5 de julho.

Com 87 anos de vida e mais de 60 de profissão, Yara iniciou seu relacionamento com a arte ainda garota. Mas só aos 17 anos, quando chegou à capital mineira, deu início a seus primeiros estudos artísticos. “Desde menina eu desenhava muito. Quando me mudei para Belo Horizonte – para estudar no Sacré Cœur de Marie –, havia um curso de pintura dentro do colégio. Uns dois ou três meses depois, eles chamaram meu pai e disseram que não tinham mais nada para me ensinar: ‘O senhor deveria procurar o tal Guignard, que dá aula lá no parque, que sua filha, possivelmente, vai aprender alguma coisa com ele’”, diverte-se.

Rapidamente, Yara e o pai foram conhecer a “tal” escola de Guignard, localizada em escombros, onde hoje fica o porão do Palácio das Artes. “O local era decadente. As janelas eram buracos, o chão era de cimento grosso e havia uma escada bem capenga, por onde os alunos circulavam”, lembra. Mesmo a contragosto da família, a jovem se apaixonou pelo ambiente. “Papai ficou horrorizado, mas eu gritei, esperneei e uma tia o convenceu a me deixar com a expectativa de que logo eu desistiria”, conta a artista.

Após a conquista, foram cinco anos de estudo e muita disciplina com Veiga Guignard. “Com ele eu aprendi a educação do olhar. Todos os erros que a gente cometia, como, por exemplo, ao retratar uma árvore, ele corrigia. Tínhamos que saber distinguir todas as folhagens. Era muito estudo e isso nos tornava extremamente disciplinados”, recorda.

A paixão pelo ofício seguiu a vida da artista, que também realizou estudos de gravura com Goeldi, foi bolsista do Pratt Institute, em Nova Iorque, professora titular da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, expôs pelo Brasil e pelo mundo e ganhou inúmeros prêmios.

Caminhando com Yara

Entre estúdios, salas, quartos e jardins, nosso papo com Yara foi tempo suficiente para várias descobertas. Sua inquietude e paixão pelo ofício são latentes. Em diversos momentos conferimos trabalhos inéditos; livros com rascunhos e traços de grandes obras; e até objetos de arte de alguns de seus amigos. A artista nos mostrou, por exemplo, trabalhos de sua avó, datados do século XIX. “Esses desenhos foram feitos em grafite. Quase ninguém conhece, mas foram eles que inspiraram minha primeira série em preto e branco”, narra.

Por fim, Yara Tupynambá resumiu sua relação com a arte por meio de uma frase do historiador de arte Gombrich, “Não existe uma coisa chamada Arte. Só existem artistas. Esses seres maravilhosos, capazes de perceber e aprender com o mundo. Mas eles só existem, se existir um público capaz de amá-los, compreendê-los e guardá-los”, finaliza.

Confira as informações sobre a exposição Yara Tupynambá – Uma Vida na Arte – Obras de 1957 a 2019 na nossa Agenda

Comentários