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Túlio Araújo é destaque do Savassi Festival

Pandeirista lança seu segundo CD, “East”, inspirado na sonoridade do outro lado do mundo


Créditos da imagem: Flávio Charchar
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Músico Túlio Araújo
Redação Sou BH
20/01/15 às 16:36
Atualizado em 01/02/19 às 17:57

Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

O Savassi Festival vai trazer para o público dois lançamentos de discos de artistas mineiros, Gustavo Figueiredo lançará no dia 18 de agosto, às 20h, no anfiteatro do Pátio Savassi (Av. do Contorno, 6061 – Funcionários), o disco “Gustavo Figueiredo Trio”. Já o pandeirista Túlio Araújo lança no dia 20 de agosto, na Fundação de Educação Artística (R. Gonçalves Dias, 320. Funcionários), seu segundo álbum. 

Intitulado “East”, o CD propõe ao ouvinte uma viagem ao leste do mundo, observando seus sons e suas diferenças. Além da viagem para o “East”, assistir este artista ao vivo é uma experiência marcante para o amante da música. A direção musical do álbum ficou a cargo de Felipe Vilas Boas, produção de Deangelo Silva. O disco contou com as participações do baixista Enéas Xavier, Quarteto de Cordas da Sinfônica de Minas Gerais. O disco tem nove faixas compostas por Felipe Vilas Boas, Deangelo Silva, Tiago Araújo, Marcos Danilo e Túlio Araújo. As faixas Luciane e Minas ganhou a voz de Dani Gurgel. Túlio afirma que o disco é “uma viagem de ida e volta. Uma ida com uma bagagem e uma volta com outra, não necessariamente maior nem melhor, apenas diferente”.

O pandeiro, um instrumento de origem árabe adotado pelo povo brasileiro em seu ritmo mais genuíno, o samba, é tocado por Túlio Araújo no jazz. Segundo o artista, o instrumento entrou na sua vida por meio da capoeira. Em seguida, o forró foi o cupido entre o músico e o pandeiro. “Se for considerar a primeira vez que peguei num pandeiro, foi na capoeira. Mas acho que realmente comecei a pensar em ser pandeirista nos forrós de BH”. Nos idos de 1995, o artista frequentava as casas de forró para tentar tocar. “Nos forrós tinham sempre alguns instrumentos nos ‘palquinhos’ pra qualquer um tocar. Uma vez não consegui pegar o pandeiro e fiquei tão chateado que comprei um, bem baratinho. A partir daí eu era o ‘chato do pandeiro’, vivia com ele debaixo do braço, ganhei o apelido de Tuia do Pandeiro”, conta.

Antes de passar para o jazz, Túlio montou sua banda de forró, o Trio Classe A. Pensando em mudar a forma de tocar, criou Os Cincopados, que executava músicas desconhecidas de grandes nomes do gênero como Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, dentre outros. Sentindo certa estagnação, Túlio migrou para o samba e criou o Samba de Luiz, banda que tocava sambaião e fez grande sucesso por aqui. Mais uma vez a inquietação artística falou mais alto e ele conheceu o trabalho do norte-americano Scott Feinerr, que tomou como referência. “Quando conheci Feinerr decidi parar de participar de bandas e criar meu próprio trabalho, onde eu pudesse fazer o que quisesse”, explica. 

Túlio é um estudioso e experimentador por vocação. O artista fez a escola de percussão do Centro de Formação Artística do Palácio das Artes e depois ingressou na Bituca Universidade de Música Popular em Barbacena. “Meus mestres são o cubano Santiago Reyther, Serginho Silva e, principalmente, o pianista e professor da Bituca, Felipe Moreira. Esses caras chegaram com um pé de cabra e abriram minha cabeça. O Scott é mais uma referência no sentido de construção dessa mistura do pandeiro com a linguagem do jazz,”  diz.

O artista possui uma ligação muito forte com o instrumento e sua música. Para ele um show não passa de uma viagem para o mundo dos sons. “Toco o show praticamente todo de olhos fechados, tenho uma relação com a minha música e meu instrumento muito particular, somos só eu e ele. Eu vou pra outro lugar, é muito difícil de explicar, porque fica parecendo piegas”, relata. 

East

O disco “East” é o segundo trabalho de Túlio Araújo. O primeiro disco, intitulado Manguêra, foi lançado em 2012 e lhe rendeu muitos resultados positivos, com destaque para a indicação ao Prêmio da Música Brasileira e alguns shows em Nova Iorque, ambos em 2013. Agora Túlio apresenta uma sonoridade muito diferente. “Tenho até medo dos amigos e fãs do Manguêra, porque são concepções muito distintas. O Manguêra foi um CD muito visceral, muito ‘na tora’, entramos no estúdio e escolhemos as melhores que tocávamos, além de pegar composições de alguns parceiros. Já em ‘East’, a coisa foi muito bem trabalhada. Tivemos três meses só de ensaio, Deangelo Silva, Felipe Vilas Boas e eu”, conta.

“East” é inspirado e influenciado pela atual sonoridade oriental. Depois de assistir ao show do pianista israelense Shai Maestro, Túlio ‘descobriu’ um novo caminho do som. “Eu relutei em ir ao show do Shai Maestro, porque ia assistir a outro show no mesmo horário. Fui com um amigo e sentei numa cadeira no corredor, pra ouvir só a primeira música e sair correndo pro outro show. Do jeito que eu fiquei sentado permaneci, parecia que eu tinha tomado uma surra de música, sabe? Tudo era absurdamente complexo pro meu entendimento, mas estranhamente, eu sentia que se eu pegasse o pandeiro e começasse a tocar, conseguiria,” afirma. A partir daí, Túlio começou a estudar a sonoridade oriental e os nomes do jazz dessa região. 


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