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Raquel Coutinho lança Mineral

A cantora expressa relação estreita com a natureza em show com tambor e sonoridade eletrônica


Créditos da imagem: Divulgação
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Raquel Coutinho lança Mineral em show com Marcos Suzano e Sérgio Pererê
Redação Sou BH
20/01/15 às 16:24
Atualizado em 01/02/19 às 17:59

Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

Raquel Coutinho é uma artista que apresenta a beleza da originalidade, com a modernidade da tecnologia numa linguagem única. A cantora, para quem a música é um exercício de liberdade, apresenta no dia 25 de setembro no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244. Lourdes), às 21h, o repertório do seu mais novo disco, “Mineral”. O álbum procura mostrar a fusão da cidade com a natureza com as participações do percussionista Marcos Suzano e, no palco, a cantora terá a companhia de Sérgio Pererê.

A relação de Raquel com a música veio por meio da dança. A cantora que é também fonoaudióloga e possui sólida carreira no exterior, estudou dança clássica. “Minha relação com a música veio da dança, fiz muitos anos de dança clássica com uma pianista que tocava durante as aulas, isso foi maravilhoso na minha formação musical, pois acho que aprendi a me relacionar com a música através do corpo”, conta. Raquel ainda fez capoeira, tendo contato com a percussão por meio do berimbau, atabaque e pandeiro, instrumento que aprendeu a tocar na luta.

Foi no bar de sua mãe que a cantora teve maior influência musical. “Tinha música ao vivo quase todo dia, ali eu convivi com muitos artistas que frequentavam o bar. Do Clube da Esquina aos Tambores de Minas vi ali Beto Guedes, Toninho Horta, Tavinho Moura, Tizumba, Vander Lee, Tambolelê, Juarez Moreira, também Podé e Maurinho Nastácia, Marina Machado, Simone Guimarães, Rosa Passos, muitos outros, enfim era muita influência boa diariamente”, constata.

A artista apresenta a mescla dos tambores de Minas, com timbres afro-brasileiros e a modernidade da música eletrônica. O som de Raquel é único e está inserido na nova nomenclatura de Música Universal Brasileira (MUB). O disco tem forte presença do tambor de Minas, que Milton Nascimento cantou em “Os Tambores de Minas” que se tornou disco e depois DVD. “Eu fui criada na cidade grande, com a influência forte da tecnologia, da velocidade urbana, da presença da novidade dos timbres eletrônicos etc. Mas eu considero que não existe nada mais poderoso que um tambor. Quando o assunto é tambor estamos falando de ancestralidade, de cultura universal, de matriz, de origem”, afirma.

Raquel diz que o tambor de Minas contém uma força diferente, que além de tons mais graves toca a alma. “Os Tambores de Minas, em especial, têm um timbre único, um grave poderoso que faz vibrar o meio do peito e provoca uma emoção diferente. Acho que um artista da importância do Milton, ao cantar os Tambores de Minas, o fez com muita propriedade, enalteceu e valorizou a cultura popular de Minas, sem dúvida nenhuma”, explica.

Além do tambor o som de Raquel tem uma pegada rítmica muito forte. Ela estudou com percussionista de peso como Bill Lucas, Fernando Barba - Barbatuques, Lucas Ciavatta, Lênis Rinno, Nei Doxosse, Léo Leobons, Jongui. Segundo ela, “Tizumba foi meu maior mestre, e também estudei com um grande mestre cubano, Santiago Reither, que me ensinou a rítmica corporal”, diz. As festas populares como a Congado, Candombe, Candomblé e Folia de Reis formam uma escola para a artista que sempre observou essas manifestações com olhar curioso e encantado. “Conhecer essa cultura na intimidade foi uma grande sorte pra mim, pois as coisas ganham mais força e mais sentido, quando são vividas em sua simplicidade. E com essas pessoas aprendi sobre verdade e simplicidade”, relata.

Mineral

O disco trata das inconstâncias das relações, das promessas e dos novos paradigmas. “Mineral” é um disco orgânico que trata da ligação de Raquel com a natureza, que é uma relação muito estreita.  “Eu componho o que sinto e o que vivo. É muito orgânico. O tema Mineral surgiu por uma ligação minha muito forte com a natureza”, explica.  

Sete faixas são de autoria de Raquel e versam de forma muito particular da natureza e do urbanismo em contraponto ou em harmonia com a paisagem natural. “Logo que me mudei para o Rio de Janeiro me senti em uma cidade de pedra, mas de diversas formas. É como se o meu quintal passasse a ser de concreto, mas misturado ao mar. A exuberância de uma rocha no meio da cidade, a mata densa, cachoeiras no asfalto. Uma natureza urbana incrível e maravilhosa, mas ao mesmo tempo dura e urgente. Achei que o Mineral estava em todos os lugares, em tudo que se constrói e se destrói nas cidades”, conta.

O disco foi produzido pelo percussionista Marcos Suzano e pelo guitarrista Maurício Negão. Segundo Raquel a chegada de Suzano veio da necessidade de encontrar uma pessoa capaz de compreender o universo dos tambores de Minas e trazê-los para uma linguagem mais atual, na qual se somam a sonoridades eletrônicas com sutileza e sem perder o batuque congadeiro.

A participação de Sérgio Pererê só vem afirmar a atmosfera de encantamento e energia do tambor. “Sérgio Pererê é na verdade uma coroação. Ele é uma entidade, uma força da natureza. Eu o considero o artista mais completo que o Brasil tem atualmente. Sérgio é tudo isso ao mesmo tempo: é raiz, origem, ancestralidade e é o futuro, o atual, o moderno, o raio laser”, afirma.


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