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Oswaldo Montenegro apresenta show 3x4

Em única apresentação, artista promete atender ao público no Cine Theatro Vallourec


Créditos da imagem: Reprodução
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O inquieto menestrel faz única apresentação no Cine Theatro vallourec
Redação Sou BH
12/01/15 às 17:53
Atualizado em 01/02 às 18:00

Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

O cantor, compositor e, porque não dizer, menestrel, que é uma espécie de poeta e contador de história, Oswaldo Montenegro, faz única apresentação no Grande Teatro do Cine Theatro Brasil Vallourec (Rua dos Carijós, 258 – Centro), quinta-feira (9), às 21h. O Show 3x4 apresenta, num formato único, com três músicos e quatros partes, a carreira, os sucessos e as influências do artista.

Segundo o músico, o show tem uma função. “Cada parte tenta focalizar um lado da minha vida de compositor”, explica. No primeiro momento as músicas serão mais alegres. “São canções que compus em estado de euforia. Todas elas ligadas por citações bem pequenas, instrumentais, de mestres que me alegraram, como Jacob do Bandolim, Patápio Silva, Glenn Miller, ‘teminhas’ de desenho animado, como Pica Pau”, conta.

No segundo momento Oswaldo atende aos pedidos do público onde tudo pode acontecer. “Nunca me pediram pra tocar Raul. Mas às vezes surge uma solicitação inesperada. Já aconteceu de pedirem músicas que eu não me lembrava de ter feito”, conta.

Na terceira parte, o artista fala um pouco de sua carreira junto ao teatro e, na última parte “mergulhamos nas influências da seresta da minha infância em São João Del Rei e tocamos canções que compus encharcado disso, como ‘Bandolins’, ‘Lua e Flor’, ‘Estrelas’, ‘A Lista’, ‘Estrada Nova’, ‘Velhos Amigos’ e a mais recente, ‘Me ensina a escrever’”, conta.

Muito influenciado pelas Minas Gerais, o artista explica que o estado é a sua casa. “Ter morado na minha infância em São João Del Rei influenciou na minha maneira de ver e de sentir a arte. Eu era um garoto de oito anos andando atrás de seresteiros que passavam os finais de semana tocando por aquelas ruas estreitas e magníficas”, conta. “Até hoje não cheguei em casa. Minha casa ficou em Minas”, constata.

Identificado sempre por causa de canções que fez para musicais, Oswaldo afirma não gostar do gênero. “Admirava profundamente a competência de Fred Astaire e adoro Gene Kelly (“Cantando na Chuva”), mas me causava uma sensação estranha, a herança operística que o musical típico tem, na qual a ação dramática é cantada. O mocinho vai matar o bandido e, de repente, começa a cantar”, explica. A opinião do cantor mudou quando foi apresentado para Hugo Rodas, coreografo uruguaio, que montou em Brasília, um musical baseado nos menestréis, contadores de histórias, onde a música conta a história, é a narradora e a narração da ação realista. “Yan Michalski, grande crítico do teatro brasileiro, escreveu uma longa crônica batizando e analisando o nosso estilo, fazendo com que eu próprio entendesse, de forma acadêmica, o que estava fazendo. Usei essa mesma estética para os meus filmes. Tanto em “Léo e Bia”, que foi meu primeiro longa-metragem, quanto em “Solidões”, não existe a ação cantada, e sim a música como narradora”, diz.

Oswaldo Montenegro, além de um artista inquieto, é também um homem em oposição à tranquilidade. “Ainda não consegui nada que se pareça com o que chamam de calma. Conheço a alegria.  Sou uma pessoa feliz. Tenho entusiasmo, mas estou longe de ser zen”, conta. Uma vez ele disse que queria ter a calma que o compositor Renato Teixeira teve ao escrever a canção “Tocando em frente”. “Pra me consolar fiz uma música chamada ‘Pro Renato Teixeira’, gravamos juntos, está no Youtube, e toco no 3x4. Ali está o retrato do encontro da tranquilidade do Renato e da minha ansiedade crônica. Mas confesso que lido bem com essa ansiedade e hoje percebo que ela é ao mesmo tempo motor e consequência da minha criatividade”, explica.

O menestrel dirigiu muitos artistas em seus musicais e filmes, em especial cantoras com timbre diferenciado, como foi o caso de Cássia Eller e Zélia Duncan. “Tive a honra de ter cantando nos meus filmes Zé Ramalho, Alceu Valença, Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Zizi Possi, Zeca Baleiro, Moska e outros grandes artistas. Percebia o quanto eles são únicos, não se parecem com nada”, explica. Muitos cantores novos tendem a perder sua característica por tentar agradar diretores para se inserirem no mercado. “O cara quer agradar e com isso perde suas características próprias. O sucesso não começa enquanto alguém não odeia o artista. É preciso marca. Pra ter marca, é preciso coragem. Não basta compor ou cantar o que se gosta. Esse é apenas o primeiro passo, o segundo, mais difícil, é cantar o que se é. Tem que ter muito peito”, ressalta.

Oswaldo é fã da dança. “O ser humano se desenvolve e mostra isso de forma física no esporte e de forma espiritual-intelectual na arte. O único que é atleta e artista é o bailarino”, explica. O trabalho com o corpo fascina o artista que colocou isso na letra de sua canção, “Incompatibilidade”, que diz assim: “Se você dançar a noite inteira não significa dar bobeira/De manhã se alienar ou esquecer/É a busca do supremo equilíbrio, num processo inteligente sua mente clarear sem perceber”. Para Oswaldo a dança é a mistura da força com a sensibilidade. “Sou uma espécie de tiete dessa galera que une os devaneios, as loucuras típicas da atividade artística, com a disciplina férrea com que trabalham o seu corpo”.


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