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Ópera de Verdi estreia no Palácio das Artes

“Rigoletto” é atração no cardápio de espetáculos deste final de semana


Créditos da imagem: Divulgação
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O bufão Rigoletto na peça de Verdi
Redação Sou BH
20/01/15 às 17:05
Atualizado em 01/02/19 às 18:01

Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

Como já é tradição na capital mineira, a Fundação Clóvis Salgado apresenta uma nova ópera este ano. A produção escolhida foi “Rigoletto”, de Verdi, do libreto de Francesco Maria Piave, baseado na história “Le roi s'amuse” do francês Victor Hugo. A apresentação tem duração de 165 minutos, com 20 de intervalo, e regência de Marcelo Ramos para Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, participação do Coral Lírico de Minas Gerais e Companhia de Dança do Sesiminas. As apresentações são entre os dias 18 e 29 de outubro.

O maestro Marcelo Ramos conta que muito antes da inauguração do Palácio das Artes, em 1971, as óperas eram apresentadas frequentemente no Teatro Francisco Nunes, dentro do Parque Municipal, na década de 1960. “De lá para cá, a Fundação Clóvis Salgado, que administra o Palácio das Artes, já produziu em torno de 70 títulos de Verdi, Mozart, Puccini, dentre tantos outros compositores”, conta.

Belo Horizonte tem tradição e gosto pela música clássica no formato de ópera. De acordo com Ramos, “BH era e é um centro produtor de ópera. Na década de 1960 a capital exportou muitos cantores líricos para São Paulo e Rio de Janeiro”, explica. Mas a ópera não é um gênero popular, de acordo com o professor Robson Leão, do Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense, o gênero “era um luxo exacerbado que fazia sentido, pois a vida barroca em si era muito teatral. Servia como o oposto à miséria dos camponeses e súditos, assolados por guerras e doenças”, afirma.

Em Belo Horizonte, com intuito de apresentar a ópera para mais pessoas, segundo Marcelo Ramos, “são apresentados trechos da peça no parque porque, isso cria uma curiosidade e acaba gerando um burburinho para descobrir como é o fim da história”, explica. Trechos da peça Rigoletto serão apresentados neste domingo, dia 12 de outubro, no Concerto no Parque.

O que dificultava o entendimento e criava um distanciamento do povo para com a ópera era o fato de ser em outra língua, geralmente em alemão ou italiano. Agora há durante a apresentação da peça a presença de legendas. Segundo o barítono de São Paulo, Rodolfo Giugliani, que fará o papel-título, o entendimento da peça é muito mais fácil. “Se você assiste e se emociona já entendeu. Costumo dizer que é de elite por causa do acesso. No Brasil, a ópera não tinha legenda e só entendia o enredo quem sabia italiano ou alemão, que são as línguas da maior parte das óperas”, explica.

Outro estigma que acompanha as óperas e afirma que não são populares é a carga que a música clássica carrega consigo. Segundo Ramos, no caso de Verdi, a música é fácil de ser entendida. “Verdi faz uma música palatável, a ação é feita de uma forma fácil de ser entendida”, explica. Giugliani afirma que essa é uma preocupação desnecessária. “A música é para se sentida, é como uma pintura é preciso ver para entender o sentimento que ela passa. A música tem que ser ouvida com o coração”, ressalta.

Outra questão abordada por Ramos é que a ópera, assim como toda obra de arte deve ter um tempo para que leve o espectador a sentir. “Ópera é igual a cinema e novela tem que estar disposto a ver uma história do início ao fim. É preciso sim, desligar tudo, parar”.

Rigoletto

Rigoletto é um drama, mas, de acordo com Marcelo Ramos, não é triste. “É um pouco injusto dizer que é uma peça inteiramente triste. Ela começa muito alegre e viaja do cômico ao trágico muito rapidamente. Há momentos de graça”, conta.

Pela primeira vez, Verdi usou um barítono (voz masculina que está entre a mais aguda e a mais grave) no papel principal. “Na maioria das óperas, os papéis principais são os tenores e sopranos (vozes agudas masculinas e femininas respectivamente). Foi proposital! Um personagem bizarro para Verdi deveria ter a voz diferente das usuais. Ele fez uma fusão de gêneros chegando a usar música de circo”, explica.

Rodolfo Giuliani, o Rigoletto desta montagem, afirma que este é um personagem muito rico. “Fazer um bufão, um bobo da corte é uma viagem. No caso de Rigoletto, o personagem vai do ápice da alegria ao fundo da tristeza. Tem momentos de fúria, de vingança, de decepção e tristeza. Nesta peça tem tudo, um leque de sentimentos”, conta.

Ramos chama atenção para os sons da ópera. “Verdi usou os timbres mais graves que remetem a sentimentos profundos, cores mais escuras”, afirma. Há também a presença do coral somente com as vozes masculinas, coisa inédita para época em que a peça foi concebida.

Nos dias 18, 19, 21, 25, 26 e 29 de outubro, o Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 - Centro) apresenta "Rigoletto", de Giuseppe Verdi. Apresentações às 20h nos sábados, terça e quarta e às 19h nos domingos.


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