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Menescal e Takai se apresentam em Tiradentes

Além da boa comida, o Festival Cultura e Gastronomia oferece um belo cardápio musical


Créditos da imagem: Divulgação
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Roberto Menescal se apresenta na sexta (29)
Redação Sou BH
20/01/15 às 16:33
Atualizado em 01/02/19 às 17:58

Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

O Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes não é apenas um momento para se comer bem. Mas também é uma oportunidade para ouvir boa música. No Largo das Fôrras, na sexta-feira (29), às 22h, Roberto Menescal e Fernanda Takai farão show juntos. No repertório, clássicos da bossa nova.

Não dá para falar de Roberto Menescal sem falar de bossa nova. O artista é um dos precursores do ritmo, porém não acredita ser um dos símbolos do gênero.  “Eu fui apenas um dos participantes ativos desse movimento, é a velha e conhecida frase, ‘eu estava no lugar certo, na hora certa’”, afirma.  

A bossa nova foi criada por João Gilberto. Foi ele, João, que criou a batida que inovou a música brasileira no final da década de 1950. Mais precisamente, a primeira vez que o violão de João foi ouvido foi em 1958 no disco “Canção do Amor Demais” de Elizeth Cardoso, no qual o toque inconfundível apareceu na canção “Chega de Saudade”. Em 1959, João gravou a mesma música de forma mais simples, do jeito que havia imaginado, nascendo aí, a bossa nova. Há quem diga que foi nas reuniões na casa de Nara Leão, que os amigos Roberto Menescal, Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli criaram o movimento que revolucionaria a música brasileira, levando-a para o mundo.

Menescal, junto a Lyra e Nara Leão, se apressou em aprender a tocar do jeito de João. A bossa nova, segundo o pesquisador e escritor Ruy Castro, era a música da juventude. Menescal até trocou de instrumento. “O primeiro instrumento que toquei foi uma gaita de boca, aos 12 anos. Já aos 13 comecei a estudar piano clássico. Com 15 anos ganhei um acordeom e aos 17 (início do movimento bossanovista) me apaixonei pelo violão e comecei a compor as primeiras músicas”, conta.

Outra característica da bossa nova que chamou atenção dos jovens foi a simplicidade dos temas. Cantava-se coisas do cotidiano e o mar era um tema recorrente nas composições de Menescal, pois quando jovem, o artista era pescador submarino. “Sou um apaixonado pelo mar desde garoto, fui caçador submarino durante 36 anos, confesso ter sido um predador, mas aos poucos fui entendendo que eu tinha que me transformar em um defensor de nossos mares e deixei a caça submarina”, explica.

Para Menescal, a música está se modificando, mas seu futuro ainda é nebuloso. “Certamente estamos no fim de um ciclo artístico musical, pois estamos ainda no começo de um novo século, então não sabemos o que virá daqui pra frente”, explica.  A parceria de Menescal com a Bossacucanova é uma novidade na música. “A bossa nova original nunca se preocupou com o ‘dançar’, mas a moçada, a partir do final dos anos 80 em diante começou a fazer uma bossa mais suingada e dançante. O grupo Bossacucanova inovou mantendo a base de nossas harmonias o que lhe dá uma autenticidade na base de suas interpretações”, explica. O artista participou de shows com o grupo por turnês na Europa e Japão.

Fernanda Takai e Menescal

O show de Tiradentes será junto com a vocalista da banda belo-horizontina Pato Fu, Fernanda Takai. A cantora vem se dedicando a uma carreira paralela na qual canta canções que não seguem o gênero das de sua banda. Takai gravou Chico Buarque, Roberto Carlos e até música religiosa com o padre Fábio de Melo.

Menescal afirma que o encontro com a cantora está gerando grandes frutos. “Ela foi assistir a uma apresentação minha em BH e falou comigo rapidamente depois do show. Eu não a reconheci no momento, mas quando soube que ela era a Fernanda Takai que eu conheci pela TV, fui atrás e conversei bastante com ela. A partir daí, as parcerias começaram a acontecer”, conta. A cantora foi chamada, pelo jornalista Nelson Motta, de Nara Leão Pop Rock. Menescal vê semelhança entre a cantora morta em 1989 e Takai. “A semelhança que vejo de Fernanda com Nara é, principalmente, na meiguice e no cantar macio”, constata.

Para o show da sexta (29), o músico diz que não tem dúvida sobre o sucesso. “Tenho certeza de que o show com a Takai será um sucesso! Gosto muito dela como artista e como pessoa”, afirma. O show terá uma parte instrumental na qual Menescal será acompanhado por Adriano Giffoni, contrabaixo, João Cortez, bateria, Adriano Souza, teclado, e Jessé Sadock, sopros, nas músicas “Bye, Bye, Brasil” (Menescal e Chico Buarque), “Samba de verão” (Marcos e Paulo S. Valle) e “Só danço samba” (Tom e Vinicius). Fernanda Takai cantará “O barquinho” (Menescal e Bôscoli) e “Insensatez” (Tom e Vinícius). “Garanto, o público vai sair com a sensação de quero mais”, brinca o compositor.

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