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Financiamento coletivo é alternativa para projetos independentes

Vários artistas recorrem a este recurso para colocar em prática seus projetos


Créditos da imagem: Fernanda Abdo
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Matheus Rodrigues lançou o disco Do Baião a Piazzolla, por meio do financiamento coletivo
Redação Sou BH
01/12/14 às 17:31
Atualizado em 01/02 às 18:03

Por Camila de Ávila, jornalista do Sou BH

Atualmente muitos artistas da cena independente estão optando por uma nova forma de conseguir dinheiro para produzir seus trabalhos, seja na gravação de discos, produção de shows, de peças e vernissages. O crowdfunding, conhecido como financiamento coletivo, ou a famosa vaquinha, tem sido muito utilizado como uma alternativa às leis de incentivo à cultura.

Segundo o pesquisador da história da música, professor universitário e músico, Ricardo Frei, os financiamentos coletivos começaram a ser desenvolvidas e popularizadas a partir da década de 1990. "As ações naquele momento estiveram voltadas, sobretudo, para finalidades artísticas e filantrópicas”, explica. O baixista Matheus Rodrigues que lançou o disco “Do Baião a Piazzolla” em outubro de 2014, por meio do financiamento coletivo, optou por essa forma de conseguir o dinheiro depois de ter a certeza de que funcionava. “Projetos pequenos, de até 10 mil reais, são realizados mais rapidamente”, diz.

Para Fernando Monteiro, baterista da banda A Fase Rosa, o financiamento coletivo ajudou o grupo a alçar voos maiores. “Já havíamos gravado o CD e queríamos prensar mais para que o disco circulasse por mais lugares. O financiamento coletivo foi a solução”, conta. A Fase Rosa lança, no dia 5 de dezembro, o disco “Leveza”, por meio do financiamento coletivo.

A vantagem deste tipo de ação é a ausência de burocracia. “O músico não terá que desbravar este mundo difícil de penetrar que é o dos apoiadores contumazes de projetos de lei”, conta Ricardo Frei, que está finalizando seu projeto de CD e show “Fora da Asa”. Durante a campanha de arrecadação, é possível divulgar e trazer a atenção para o projeto. “Mesmo que alguém não o apoie, estará ciente da ação. Gera e desperta interesse. Trata-se de uma estratégia de divulgação e marketing. Claro, como toda ação estratégica, tudo dependerá de seu planejamento”, analisa Frei.  Matheus Rodrigues concorda. “Para projetos menores, o financiamento coletivo pode ser uma opção mais rápida e tranquila”, afirma.

Frei afirma que “aprovar uma lei de incentivo não é uma tarefa tão difícil. Existem empresas especializadas. Alguém que tenha a paciência e disciplina para ler editais, além de um bom texto, conseguirá com certa facilidade. O grande gargalo de tudo isso é a captação de recursos”, ressalta.  Como alternativa às leis de incentivo à cultura municipal, estadual e federal, Matheus diz que o financiamento coletivo “é uma forma de arrecadar fundos para um projeto. Ao contrário de projetos por lei de incentivo, onde é possível receber um valor justo por uma turnê, lançamento de disco, etc, o financiamento ajuda nos custos, mas não visa conseguir lucro, muito pelo contrário, na maioria das vezes acaba ficando mais caro do que o arrecadado”, explica.

Há projetos que possuem uma maior facilidade na arrecadação pelo financiamento coletivo. “Pelo que tenho percebido, projetos de games são muito bem recebidos. Projetos que tenham apelo social também estão em alta”, analisa Frei. Os que envolvem música e arte dependem muito da rede de contato do idealizador do projeto e da sua “fama” no meio. Matheus diz que “no Brasil usamos mais para projetos culturais, nos EUA usam muito pra invenções, jogos, tecnologia”, constata. Projetos que possuem um público fiel têm mais chance de conseguir dinheiro mais rápido. “Percebo que projetos como os dos games, além de outros que trabalham com seguimentos ativos, guetos fiéis têm maior facilidade de serem bem sucedidos. Acho que aí está a razão destes projetos com seguimento específico, público restrito e fiel estarem entre aqueles que deram/dão certo: ter um público comprometido e interessado”, conclui Frei.


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