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Não é Não! distribui milhares de tatuagens para foliãs de BH

Até o fim do carnaval, o movimento marca presença em 37 blocos de BH


Créditos da imagem: Saulo Duarte
Main qu4rto studio
Redação Sou BH
22/01 às 20:07
Atualizado em 03/03 às 21:40

Por Júlia Alves

A luta contra o assédio pode começar com uma tatuagem. Registrar o protesto no corpo é um passo importante que as foliãs mineiras estão dando com a campanha Não é Não. Chegando ao segundo ano no carnaval de BH, a iniciativa cresceu e, até o fim do carnaval, deve espalhar 15 mil unidades de tatuagens temporárias com os dizeres do movimento pela cidade.

Com a união crescente das vozes femininas e de movimentos sociais que focam em pautas contra o assédio e a violência contra as mulheres, a campanha ganhou ainda mais destaque para o carnaval de 2019. No ano passado, o Não é Não recebeu o apoio de seis blocos. Neste, são 37.

“Ficamos muito surpresas com o crescimento. Tudo foi muito maior neste ano, principalmente a compreensão dos blocos sobre a pauta. Os organizadores quiseram entender a iniciativa, e ver os blocos puxando a pauta para eles, discutindo internamente o assunto com os integrantes, dialogando, foi muito interessante”, afirma a arquiteta Luiza Alana, a embaixadora do projeto em BH.


Foto: Jane Linhares

O começo e o futuro

O movimento começou em janeiro de 2017 quando um grupo de amigas transformaram a indignação, de anos de assédios, em ações no Rio de Janeiro. Em dois dias arrecadaram verba para fazer os adesivos e, já no carnaval daquele ano, distribuíram quatro mil tatuagens temporárias pelas ruas cariocas.

Chegando ao segundo ano na capital mineira, o movimento criou um coletivo de mulheres que está por trás das ações. Com uma organização maior as integrantes da campanha esperam um alcance ainda mais amplo, além do lançamento de uma cartilha sobre assédio e como lidar com vítimas de abuso, que serão distribuídas para os blocos durante a folia.

“Temos a expectativa de distribuir 15 mil tatuagens e tocar ainda mais pessoas, ter mais abertura para esse diálogo. Claro que ainda encontramos resistência, principalmente de alguns homens que flexibilizam o assédio no carnaval e acham que não é nada demais. Mas agora temos uma base maior para falar, dialogar e mostrar a importância de respeitar as mulheres e os nossos corpos”, comenta Luiza.


Qu4rto Studio

A luta continua

Para as organizadoras, o projeto continua mesmo fora do carnaval, já que a luta contra o assédio transcende a época da folia. “Queremos viabilizar a discussão sobre o assédio ao longo do ano todo. Focamos no carnaval por ser uma época em que tudo parece ficar permitido de repente. Inclusive, invadir o direito do outro. Mas a ideia é mostrar que, não importa a roupa ou a época do ano, somos donas dos nossos corpos”, comenta Laís Petrina, uma das integrantes do movimento.

Mesmo com a sororidade que o movimento permite aflorar entre as mulheres, e a importante presença de homens que, apesar de não ganharem tatuagens, se fizeram presentes na disseminação da mensagem, o objetivo coletivo entre as integrantes é de que a campanha não precise mais existir.

“É um absurdo a gente ainda precisar de movimentos como esse. O objetivo é que ele não exista mais, que a gente não precise mais ensinar que não é não. Eu sei que ainda temos muito chão pela frente, mas a união das mulheres é linda. Falar de algo tão sério e grave com leveza é diferente. A violência é um tópico delicado, ainda assim, criamos um movimento bonito de união das mulheres”, afirma Luiza Alana. A arquiteta ainda completa que “não abaixamos a cabeça e vamos continuar lutando por quanto tempo for necessário”.

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* Atualizado em 03/03/19 - 21h40

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