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BH não é ruim da cabeça nem doente do pé

Samba da Quadra comemora um ano de muito sucesso


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BH tem tradição de samba
Redação Sou BH
12/01/15 às 18:02
Atualizado em 01/02 às 18:00

Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

“Se todo mundo sambasse seria tão fácil viver”, “o samba é pai do prazer, o samba é filho da dor”. Com esses trechos de canções de Chico Buarque e Caetano Veloso, dá para entender tudo que o samba representa para o brasileiro. Em setembro, o projeto Samba da Quadra completou com festa um ano de sucesso, provando, como disse Nelson Sargento, que o ritmo agoniza, mas não morre.

Segundo os organizadores do Samba da Quadra, Lucas Machado e Henrique Moreira, a ideia era criar um evento num ambiente descontraído. “O projeto hoje supre a carência de eventos realizados durante o dia em Belo Horizonte, e atrai um público jovem, não limitando somente ao samba e suas vertentes, mas com dias de baile black, mpb, soul, e até rock”, conta. A quadra da Escola de Samba do bairro Cidade Jardim foi escolhida como sede por apresentar um clima leve. “Isso foi importante para fortalecer o projeto, principalmente por proporcionar um clima de festa na comunidade Cidade Jardim e uma experiência diferente para o público, além de uma vista maravilhosa da capital mineira”, explica.

Na eterna discussão se o samba nasceu na Bahia ou no Rio, Minas mostra que sabe sambar e fazer samba. Segundo os organizadores do projeto, alguns dos importantes compositores de gênero são de Minas. “O Fabinho do Terreiro, Evaír Rabelo, Serginho Beagá, Toninho Gerais, dentre outros, são exemplos de sambistas mineiros. O Fabinho do Terreiro já compôs cerca de cinco músicas que o cantor Zeca Pagodinho interpreta, dentre elas a conhecida ‘Desacerto’”, diz. A tradição do ritmo em BH também é muito forte de acordo com Lucas e Henrique, além do Samba da Quadra que acontece todo sábado, há “projetos tradicionalíssimos de samba que existem em locais bem escondidos por toda a Grande BH”, contam.

Os organizadores enumeram “o Samba da Madrugada, que começa sempre às 2h da manhã no bairro Santa Tereza, o Samba do Trabalhador, que atinge uma classe mais humilde que é fiel ao samba, entre vários outros”, explicam.

O Samba

O samba ou semba, como é a origem de seu nome, nasceu da dança. Oriundo do lundu, passo da dança que era executada a partir dos batuques africanos, em especial do candomblé, foi chamado de maxixe e tango brasileiro. Diz-se que o primeiro samba gravado foi “Pelo telefone”, de Donga. De fato foi a primeira gravação que ganhou o nome de samba, pois já haviam outras canções gravadas que seguiam a mesma forma rítmica e tinham outros nomes. Simultaneamente na Bahia, as pessoas faziam o samba de roda, que era a dança derivada da capoeira.

No início do século XX, o samba e seus músicos eram perseguidos e criminalizados, pois o ritmo não era bem visto pela sociedade por alguns motivos: 1) Vinha da favela, considerado na época, local onde não moravam pessoas de bem; 2) Era indecente, um dos passos mais importantes do lundu se chama umbigada (um escândalo!); 3) Quem andava com instrumento na rua não tinha emprego, logo, era vagabundo. Como diz João Nogueira e Paulo César Pinheiro na canção “E lá vou eu”, “Ai, se não fosse o violão/E o jeito de fazer samba/Do tempo que quem fazia/Corria do camburão”.

A transformação do samba em ritmo que identifica o Brasil se deu quando jovens do asfalto, ou seja, que não moravam na favela, começaram a ouvir e compor o ritmo. Um dos primeiros foi o hoje conhecido como poeta da Vila, Noel Rosa. O músico era estudante de Medicina e morava longe da favela. Junto com Ismael Silva e, em oposição a Wilson Batista, compôs clássicos sambas da história da música brasileira.

Pode-se dizer que o samba nasceu no morro do Estácio, que deu origem a extinta escola de samba Deixa Falar, e depois foi para as outras comunidades, como a da Mangueira, que deu origem a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, Oswaldo Cruz, que deu origem a Portela, e da cadeia montanhosa da Tijuca, dando origem a Unidos da Tijuca. Essas são as três escolas de samba mais antigas do Brasil. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), passou a considerar, em 2011, A Estácio de Sá como primeira Escola de Samba do Brasil.


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