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Arrigo Barnabé traz a dor de cotovelo a BH

O artista interpreta canções de Lupicínio Rodrigues em única apresentação no Teatro Bradesco


Créditos da imagem: Divulgação
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O artista apresenta show com músicas de Lupicínio Rodrigues
Redação Sou BH
12/01/15 às 17:52
Atualizado em 01/02 às 18:00

Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

O cantor e compositor paranaense Arrigo Barnabé faz única apresentação no Teatro Bradesco (Rua Bahia, 2244 - Lourdes), na sexta-feira (10), às 21h. O artista traz para BH o show “Caixa de ódio nº2”, com obras do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974). Na ocasião, Barnabé apresenta a “dor de cotovelo” de Lupi, apelido do gaúcho, com raiva.

Segundo o pesquisador e professor do IEC PUC-Minas da disciplina História da música brasileira, Ricardo Frei, Arrigo é um artista com grande conhecimento musical. “Arrigo faz parte de um grupo de artistas paulistanos que surgiu no fim dos 70, início dos 80 com propostas que os distanciavam da produção musical corriqueira. Barnabé apoiou-se num amplo conhecimento musical para criar peças inusitadas, que articulavam conhecimentos eruditos e a cultura pop, tal como a linguagem dos quadrinhos”, explica.

Com base neste conhecimento musical Arrigo Barnabé apresenta uma música dodecafônica que, de acordo com Frei foi e é o “movimento encabeçado pelo compositor austríaco Shoenberg no início dos anos 1920, que baseava a composição na escala de 12 notas”. Ainda de acordo com o pesquisador “aos ouvidos médios, acostumados com música pop, não deve ser fácil compreender a narrativa musical de Barnabé”. O artista apresenta um tipo de cenografia musical, na qual se escuta as cenas numa narrativa que não é linear. Frei afirma que “todas essas características talvez deixem a compreensão mais difícil, mas não menos saborosa. A inteligência musical e estética de Arrigo se encarrega de facilitar as coisas”.

O artista faz parte da Lira Paulistana, ou Vanguarda Paulista, movimento que se iniciou no final da década de 1970 dentro do Lira Paulistana, teatro que abrigava o grupo. Junto a Barnabé, neste movimento, estavam artistas como Luiz Tatti, Ná Ozetti, Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, os grupos Um e Premeditando o Breque. Mais tarde, próximos a década de 1980, os grupos Ira!, Ultraje a Rigor, Titãs e Violeta de Outono. Segundo Frei, o Lira ainda não acabou. “Alguns historiadores vão dizer que acabou nos anos 1980, mas prefiro pensar que está ainda aí. Justamente porque Barnabé, Tatti, Premê, Ná Ozetti ainda produzem de uma forma muito autoral e particular”, explica.

Caixa de Ódio n°2

Arrigo Barnabé afirma que gosta de Lupicínio Rodrigues. “Me identifico demais com ele, gosto de como ele transita entre o bom e o mau gosto”, conta o artista  que, começou a incorporar a canção de Lupi ao seu repertório no final dos anos 1990.

Ricardo Frei explica a importância do artista gaúcho para a música nacional. “Lupicínio trabalhou como poucos a relação entre o samba, o tango e o bolero. Ficou conhecido pelas canções que revelam temas passionais, pelos sambas abolerados e ‘dores de cotovelo’. Foi incentivado por Noel Rosa e escreveu, dentre tantos outros sucessos, ‘Nervos de Aço’, ‘Judiaria’ e ‘Cadeira Vazia’”.

Conhecido pelas músicas denominadas de “dor de cotovelo”, por serem passionais, Frei afirma que o compositor gaúcho não inventou este tipo de canção. “Lupicínio elevou a canção ‘dor de cotovelo’ a um outro patamar musical. Trouxe os temas passionais à baila sem medo de ser grotesco”, conta.

A obra de Barnabé em nada tem a ver com a de Lupi. “Eu faço coisas bem diferentes como compositor”, afirma o artista. Porém o peso da obra o gaúcho fascina o artista. “Para mim a obra de Lupicínio é muito importante como compreensão da cultura brasileira”, constata. O músico diz que “eventualmente coloco elementos dos meus estudos sim na música de Lupi, mas não é um procedimento padrão”.

Barnabé afirma que apresenta uma interpretação visceral da música de Lupi. “Eu interpreto as músicas dele como ‘raiva’ em vez de ‘dor de cotovelo’”, explica o artista que espera “conseguir a atenção das pessoas para o que estamos fazendo no palco”.


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