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Compra de apoio com verba da Belotur e base do Galo, 'instituto da fraude'... Veja as acusações envolvendo PBH

Vereadores de BH protagonizaram troca de denúncias (incluindo de crimes graves) nos últimas dias; saiba tudo

Redação Sou BH - 15/03/18 as 12:20 - Atualizado em 15/03/18 as 12:38

gabriel azevedo
Foto: Abraão Bruck/CMBH

Por Júlia Alves

Negociatas com verba pública, tráfico de influência envolvendo o time de futebol do Atlético e negócios eticamente questionáveis. Entre denúncias graves de supostos crimes - abarcando a cúpula da prefeitura e do parlamento da capital mineira - e troca de farpas, a Câmara Municipal de BH se tornou palco de acusações nos últimos dias. Como resultado, investigações no Ministério Público Eleitoral foram abertas e a rotina do alto clero da administração da cidade foi abalada. 

Mas você conseguiu acompanhar tudo? Filho de vereador integrando base do Galo em troca de favores, desvio de verba da Belotur (Empresa de Turismo de Belo Horizonte), parlamentar dono de instituto usado supostamente para financiar campanha eleitoral... Ficou confuso? O
SouBH vai detalhar a troca de acusações que agitou a classe política - e ainda promete render nos próximos dias.

O 'início'

O embate se tornou público na última sexta-feira (9), quando o vereador Gabriel Azevedo (PHS) acusou a Prefeitura de Belo Horizonte de usar verba da Belotur para garantir apoio na Câmara Municipal e até mesmo envolver o Atlético com o mesmo fim. Conforme Azevedo, o filho do também vereador Jair di Gregório (PP) foi integrado à base do time de futebol do Galo para que o parlamentar mantivesse alinhado com a administração da capital mineira.

O prefeito Alexandre Kalil (PHS) e 
o secretário Municipal de Desenvolvimento, Daniel Nepomuceno, já presidiram o Atlético. Trecho de uma conversa gravada com este último, inclusive, foi divulgado por Azevedo para corroborar a denúncia. “O Jair di Gregório teve na minha sala, falou que a Belotur está pagando para a base, está dando dinheiro para a base. E me disse claramente que o prefeito, para manter ele na base usou o Galo, colocou o filho dele, durante a sua gestão, para jogar na base (do Galo)”, afirma, na gravação, Gabriel.



Em seguida, Nepomuceno dá continuidade ao diálogo. 
“Entendi. Direito seu, velho. Isso é verdade. Não posso falar nada, porque é verdade. Se o filho dele está lá, porque joga bola ou não joga bola... Ele está na base”, diz o secretário, interrompendo o raciocínio.

“A atuação política do vereador Jair Di Gregório envolveu a participação do filho dele na base do Atlético. A pressão para a contratação ser efetivada criou uma relação de troca que envolveu e envolve atos dele na Câmara Municipal de Belo Horizonte”, resume, em publicação nas redes sociais, Azevedo.

Sobre as acusações feitas por ele contra o vereador e o prefeito, Azevedo acredita que tudo deve ser apurado e solucionado na Justiça. "Eu quero que tudo seja resolvido no MP, porque chamamos o presidente da Belotur para falar sobre o assunto, demos toda a abertura para explicações, mas ele não respondeu e eu só fui atacado. Acho importante a investigação do MP para esclarecer tudo isso. Porque toda essa ação é para encobrir o que é de fato importante, a CPI da BHTrans".

Queixa-crime e revanche

Logo em seguida, Nepomuceno afirmou que entraria com queixa-crime contra o Gabriel. O secretário afirma que a conversa foi gravada, sem seu conhecimento, na manhã da mesma sexta-feira e que a mesma foi editada - já que o diálogo teria durado cerca de 10 minutos. Por fim, o ex-presidente do Atlético se defendeu afirmando que recebe milhares de pedido para que jovens façam teste na base do clube. "Se outros filhos de vereadores fizerem teste e forem bons, vão ficar",
afirmou ao jornal Estado de Minas. 

Oficialmente, o Atlético seguiu a linha do Nepomuceno, ao alegar que, se o filho do vereador for bom, continuará na base e, se for ruim, será dispensado. Já Kalil ironizou as acusações, ao classificá-las de "fantasiosas". “Escolho o tamanho dos meus inimigos. Inimigo meu tem que ter currículo. Ele ainda está muito novo para ser inimigo. Quem sabe daqui a uns 20 anos?”,
disse.

Os vereadores também contra-atacaram. 
Jair Di Gregório se defendeu e garantiu que entrará com as medidas judiciais necessárias. "Já discutimos sobre o assunto em diversas ocasiões, mas não vou mais tratar disso na Câmara. Vou responder somente na esfera jurídica, já fiz o pedido na Justiça e serão tomadas todas as medidas necessárias", afirma ao SouBH o representante do Legislativo.



"Ele está faltando com a verdade, todas as acusações não são reais. Nunca conversei sobre isso com ele. Meu filho chegou onde chegou por mérito próprio", completa Di Gregório. 
Jairzinho, 18, está na fase de testes do Atlético e, segundo o vereador, vem sofrendo “hostilidades devido às acusações sofridas”. O vereador Léo Burguês (PSL), líder do governo na Casa, chegou a enfrentar Gabriel Azevedo em uma das acaloradas audiências no Plenário. “Não bata em criança, bata em mim”, exclamou o vereador, alegando que a acusação era um “ataque covarde a uma criança”.

Instituto em xeque

Antes da troca de acusações ganhar força publicamente, um elemento se consolidou como importante combustível. O jornal Folha de S.Paulo publicou no último dia 2 uma
reportagem abordando a atuação do IIP (Instituto de Inteligência Política), criado por Azevedo. A entidade oferece consultoria política a potenciais candidatos recrutados de movimentos como Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade) e RenovaBR.

Burguês chegou a qualificar o trabalho como "instituto da fraude". 
Em resposta, Gabriel Azevedo foi até o Ministério Público e solicitou uma investigação contra ele mesmo, alegando que não tem nada a esconder. "Sobre as acusações, não queria mais ficar batendo boca no Plenário, poderia somente dizer que estou correto, mas, não perdi tempo, quis mostrar isso com uma investigação oficial", pontuou o parlamentar. 



Que ainda comenta sobre a própria publicação do jornal paulista. "A notícia não me acusa de nada, nem o título revela todas essas ilegalidades comentadas pelos outros vereadores. Até porque o instituto ainda está sendo registrado", completou. 

CPI da BHTrans

Por fim, a criação da CPI da BHTrans, que visava investigar a chamada caixa-preta da empresa de trânsito e outros assuntos inerentes ao tema, sofreu um baque. 
Encabeçada por Azevedo, a proposição só precisava de mais uma assinatura para entrar na pauta da Câmara. Porém, após os episódios e as trocas de acusações, alguns parlamentares – Carlos Henrique (PMN), Fernando Borja (Avante) e Flávio Santos (Pode)  – se mostraram reticentes em relação à credibilidade do documento e podem retirar suas assinaturas. 

“Eu sou um vereador independente, não serei escada para ninguém. Os rumos que essa CPI tomou não me agradam, não farei parte deste circo”, comentou Fernando Borja. O parlamentar 
ainda afirma que não houve pressão externa para sua decisão. “Não quero ficar no meio desse fogo cruzado, minha relação com o governo é boa. Se as lideranças por trás dessa CPI mudarem, retorno meu apoio”, completa.

Diante do discurso de alguns de seus colegas, Gabriel afirma que as ações são 'uma cortina de fumaça'. "A CPI não é minha, existem diversas pessoas por trás desse documento, inclusive ela ainda nem começou. Por isso, qualquer desculpa é uma cortina de fumaça para desviar a atenção do que realmente importa".

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