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O que é que o Mercado tem? Cinco motivos para 'morar' no Mercado Central

O carinho dos mineiros pelo Mercado Central é evidente, mas o que será que ele tem de tão especial assim?

Redação Sou BH - 16/05/18 as 18:29 - Atualizado em 17/05/18 as 18:33

Mercado Central
Foto: Isabel Baldoni/PBH

Por Daniele Franco

Uma lista de coisas para se fazer em BH que se preze sempre tem o Mercado Central, que é um ícone turístico, cultural, comercial e histórico da capital mineira. Mas por quê? Afinal, o que é essa aura imperdível do Mercado Central?

Entre seus corredores apinhados – de gente e de produtos – dá para se perder um bocado. A primeira ida é uma verdadeira aventura pelas vias onde todo mundo que passa ganha um bom dia que, não raro, vem acompanhado de um pedaço de queijo ou uma amostrinha de um doce.


“O Mercado é como uma família mesmo, sou cliente há muitos anos e o clima daqui é de casa, de aconchego, dá pra morar aqui dentro”, se declara a bióloga Daniela Cordeiro, que carregava várias sacolas de várias lojas diferentes

Uma das cargas  era um ramalhete de crisântemos cuidadosamente embalado pelos 35 anos de experiência da simpática Dona Efigênia da floricultura, que se orgulha de trabalhar de domingo a domingo no primeiro corredor à esquerda da entrada da Av. Augusto de Lima.

Acolhimento*

Como muitos outros lojistas do espaço, Dona Efigênia, 77, carrega consigo a aura do mineiro hospitaleiro. Entrar na sua loja dá até aquele "quentinho" no coração. Por lá você encontra flores, mudas, musgo, suculentas, vasos, terra, espumas, buquês de flores maravilhosos e a simpática senhorinha à sua disposição para te atender, tirar suas dúvidas e contar um pouco da história das lojas e do mercado se você quiser. "Aqui nós somos uma família e colocamos o cliente sempre em primeiro lugar, tudo o que fazemos é para levar qualidade e bom atendimento para todo mundo", conta orgulhosa.


Dona Efigênia em meio às flores às quais se dedica há 35 anos.

Ao final do papo, se ela gostar de você, promete: “faço um precinho bom pra você”. O poder da pechincha é raro nas capitais, mas não no mercado. Podem até dizer que já colocam um preço maior para fingir que estão dando desconto, mas vai falar que você não se sente especial quando consegue abaixar o preço do produto que quer comprar?

Variedade

Em uma loja de queijos, por exemplo, você pode encontrar dezenas de tipos diferentes (algumas chegam a ter mais de trinta!). Desde os mais vendidos, como o canastra e o frescal, até os importados. Empórios e mais empórios trazem uma série de produtos diferentes em várias versões. Pimentas, temperos, ervas, chás, frutas, hortaliças, cervejas, vinhos, castanhas, cristalizados, doces e tudo o que você imaginar. “Aqui você encontra de tudo, e eu não estou falando só de produtos”, brinca José Antunes, da Temporonas Frutas Exóticas, que está há 43 anos logo na entrada da Av. Augusto de Lima. 


Bom de papo e de vendas, José Antunes conquista os clientes com sua gentileza e carinho.

Na loja do José Antunes, além da clara simpatia e do sorriso no rosto do dono, uma prateleira com molhos de pimenta colore o visual, mas o verdadeiro carro-chefe da casa são as frutas exóticas e de temporada. Por lá, você encontra frutas que não são vendidas em supermercados ou mesmo que você nem imagina que existiam. E ó, você ainda consegue provar para ver se gosta! Partiu?

Cultura


Khalid Tomeh mostrando à cliente o "melhor pão árabe de BH".

Se você acha que cultura mineira é a única que reina sobre o Mercado, você está muito enganado. Nos corredores do segundo andar, por exemplo, você encontra o Khalid Tomeh. Um simpático engenheiro de alimentos sírio que comanda o empório árabe Baity, onde uma de suas clientes, no momento da entrevista, afirmou comprar “o melhor pão árabe da cidade”. Tomeh trabalha na loja junto com outras quatro famílias de refugiados e, há oito meses prepara todos os produtos vendidos seguindo estritamente os costumes sírios. No mercado, ele encontrou um bom ponto para sustentar a casa e divulgar sua cultura entre os passantes. Quem entra na loja experimenta os deliciosos patês, desde o famoso Homus até outros patês mais exóticos, como os de berinjela e o de alho com leite. O Baity também vende salgados árabes congelados em uma bandeja grande por precinhos bem bacanas e temperos típicos a granel. Vale a pena passar pelo “corredor de artesanato” e conhecer a loja.

História


Não é sobre os quase 90 anos de história do lugar, é sobre os pedacinhos de história das mais de 400 lojas do mercado. Desde as mais novas, como a do Khalid, até as tradicionalíssimas como a Temporona ou a Floricultura da Dona Efigênia, todo mundo tem uma história para contar. Não só os proprietários, mas também os colaboradores das lojas têm histórias do mercado. A exemplo do vendedor Michael Bernardes, de 24 anos, que trabalha há um na Loja Neusa, comércio de 40 anos no corredor do Artesanato, bem ao lado da loja do Khalid. Bernardes acha uma delícia trabalhar no mercado, e afirma que sempre conhece muita gente diferente por lá.

Comida – claro


Quantos alimentos você consegue contar?

Fígado com jiló. Queijo. Cerveja. Doces. Conservas. Frutas frescas. Molhos. Biscoitos. Chocolates. Se esta lista se estender para tudo o que se encontra de comer no mercado, não acaba mais. Além disso, o cheiro dos corredores onde os alimentos são vendidos é uma atração à parte. A mistura deliciosa de queijo com frutas e ervas frescas é pouco encontrada de forma tão marcante e única como é no Mercado Central. Poderíamos colocar este quesito em variedade? Talvez, mas a comida de lá merece um espacinho só para ela nesta lista, e no coração de todo mundo que for visitar o mercado. Se você sair de lá sem provar nem sequer um queijinho, você não foi ao Mercado Central. 

Perambular pelos corredores sem provar algo é uma missão quase impossível. Na loja de queijos Fazenda Mineira, o simpático Douglas aborda os passantes para provar o queijo mais vendido do estabelecimento, o canastra. "É um queijo mais leve, menos salgado, gostoso para comer com doce", diz o vendedor oferecendo ainda uma colherinha de doce de leite. Douglas sabe das coisas, a combinação realmente ficou mais gostosa do que o normal.

O café da Lanchonete Palhares é outra experiência imperdível. Pela bagatela de R$ 2 você toma um "coado" delicioso, forte e tipicamente mineiro graças ao copo lagoinha onde é servido.

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