Matérias

Mania de Explicação traz Luana Piovani aos palcos de BH

Atriz conversou com Sou BH sobre a peça e o cenário do teatro nacional

Redação Sou BH - 09/12/14 as 17:09 - Atualizado em 09/12/14 as 17:19

A atriz Luana Piovani se apresenta em BH com a peça Mania de Explicação no Sesc Palladium
Luana Piovani em cena da peça Mania de Explicação Foto: Caio Golucci

Por Camila de Ávila, jornalista do Sou BH

Mania de Explicação” chega a capital mineira, no Sesc Palladium, trazendo a atriz Luana Piovani. O texto da peça, de Adriana Falcão, adaptado por Gabriel Villela, ganha os palcos do Sesc Palladium neste fim de semana (13 e 14). No papel principal, Luana interpreta uma menina que explica e ao mesmo tempo quer entender tudo, abrindo a porta para descobertas e questionamentos do mundo. A atriz conversou com o Sou BH sobre a peça e o cenário do teatro infantil no Brasil. No BG, a voz de seu pequeno filho Dom alegrando a entrevista.

Desde os 22 anos, Luana queria fazer peças infantis. “Eu sempre gostei muito de criança e sempre me comuniquei com elas muito bem. Conforme fui ganhando idade, percebi que isso era um dom”, conta. Em sua carreira, a atriz já encenou outras peças infantis, como “Alice no P aís das Maravilhas”, “O Pequeno Príncipe” e “O Soldadinho e a Bailarina”, esta último baseada na história de “O Soldadinho de Chumbo”. “Eu usufruo da oportunidade de poder ser uma produtora com o fato de eu gostar de crianças e acreditar que elas merecerem um teatro de conteúdo e qualidade”, ressalta. A chegada de Dom, seu filho, enfatizou o desejo de trabalhar para os pequenos. “O Dom só veio para confirmar isso tudo. É muito bom fazer peça com o meu filho na plateia. Mas esse ideal existia muito antes de ele nascer”, afirma.

Toda a trilha sonora de “Mania de Explicação” é composta por canções de Raul Seixas. Segundo a atriz, a ideia de colocar o Maluco Beleza na peça foi de Gabriel Villela. “Ele estudou as músicas e conseguiu casa-las com momentos muito marcantes da peça e eu realmente fiquei muito surpresa de como combinam, de como uma coisa faz cama para outra”, explica Luana. Mesmo a peça não sendo um musical, a atriz e os outros integrantes da trupe cantam em cena. “É uma peça de teatro pontuada por músicas e todos no elenco cantam ao vivo”, conta.

Luana afirma que leva a sério a frase de Constantin Stanislavski (ator russo, criador de um sistema de interpretação que se baseia na observação, entendimento e reprodução dos trejeitos de um personagem), que afirma que fazer teatro para criança é igual fazer para adulto, só que melhor. “Eu acho que a criança é muito mais difícil de prender a atenção que o adulto, que já está indo para o teatro condicionado a assistir uma peça. Eu gosto muito de trabalhar com as crianças porque acredito e me inspiro nelas. É muito bom você poder direcionar o seu sacrifício no que você acredita”, ressalta.

Para Luana, o contato com as crianças depois da peça é a cereja do bolo. “Poder saber o que as pessoas pensaram e como as crianças receberam a peça para mim tem um significado muito especial”, diz. Essa peça especificamente, segundo Luana, toca de forma muito particular também os pais dos pequenos. “A criança tem uma maneira muito peculiar de se expressarem e os pais, que por conta do dedo filosófico que a peça tem, sentem-se tocados no coração e ficam muito emocionados”, conta.

Politizada e engajada no que tange o cenário do teatro nacional, a atriz se mostra preocupada. “A gente vive num país onde temos que lutar por educação e saúde, né? Então fica muito difícil você exigir, bater o pé por cultura, uma vez que as crianças estão sendo mal preparadas e não é oferecida uma saúde de qualidade. Então, é por isso que eu faço o meu trabalho, vou atrás das empresas privadas e graças ao bom senso delas, junto com a minha idealização a gente consegue fazer um teatro de conteúdo e qualidade”, analisa.

Ainda na opinião da atriz, é muito difícil fazer teatro no Brasil. “A maioria do povo hoje em dia está com uma renda um pouco maior e eu observo que o que eles querem é televisão, que é uma coisa mais cômoda, onde você gasta menos, onde tem menos o risco de sofrer violência. Isso tudo influencia muito”, enfatiza. Conforme análise da atriz, não há mais, na população, a cultura de ir ao teatro. “Isso é uma coisa que só vai entrar quando o povo tiver educação. O teatro aqui ainda é coisa de poucos”, conclui.


Outras Matérias