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Fique por dentro de “10 segundos para vencer” em quatro rounds

O mineiro Daniel de Oliveira, o diretor José Alvarenga Jr. e o ator Osmar Prado revelam como o trabalho foi feito

Redação Sou BH - 05/10/18 as 12:23 - Atualizado em 22/10/18 as 10:15

Os personagens Éder e Kid Jofre
Foto: Gui Maia

Por Izabela Ventura

Está em cartaz nos cinemas de BH “10 segundos para vencer”, filme-biografia “peso pesado” pra mostrar que brasileiro sabe contar [e produzir] histórias de força e superação. Dirigido por José Alvarenga Jr., o filme conta a trajetória de Éder Jofre (Daniel de Oliveira), um dos boxeadores mais importantes da história.

Conhecido como "Galinho de Ouro" por ter sido eleito o maior peso galo do esporte, Éder tem a história narrada a partir da relação com o pai, o rigoroso ex-pugilista argentino Kid Jofre (Osmar Prado).

Entrando no clima do filme, o Sou BH e a Claro Brasil* entrevistaram  com o diretor e os dois protagonistas, separando os temas por rounds. Confira!

1º round: Relação com o boxe

José Alvarenga Jr.
Começou justamente com uma luta que vi do Éder contra o cubano José Legra [retratada no filme], quando eu tinha 13 anos. Ele foi campeão na categoria peso pena. Eu estava na casa da minha avó e meu pai ligou a TV dizendo que eu ia gostar. Nunca tinha visto boxe e aquela experiência foi muito forte, me marcou. Depois desse “detonador do esporte” para mim, me interessei e comecei a acompanhar lutadores como Muhammad Ali e George Foreman, além de filmes.

Daniel de Oliveira
Aos sete anos, troquei minha coleção de Playmobil por um par de luvas de boxe. Foi quando eu morava no Iraque e vi o filme “O Campeão” na casa de um amigo, e me empolguei. A brincadeira acabou porque a luta virou briga, mas a ligação com o esporte começou aí.

Osmar Prado
Éder se sagrou campeão em 1961, quando eu tinha 13 anos. Naquela época, ele era tão importante para o boxe quanto o Pelé para o futebol. Parávamos para escutar as lutas no rádio e Éder era um grande astro, um herói brasileiro. Fiquei muito impressionado por ter sido convidado para interpretar o pai dele, Kid Jofre.


2º round: Preparação para o filme

José Alvarenga Jr.
O boxe já rendeu filmes como “Rocky” e “Touro Indomável”, sempre falando da questão da superação. Só que em “10 Segundos”, a história é narrada a partir de uma relação entre pai e filho. O desafio foi, mais do que acompanhar as referências visuais de outras produções, estudar as construções ao longo do ringue.

Daniel de Oliveira
Faço Krav Maga há mais de dez anos; já fiz jiu-jitsu e capoeira. Então o esporte sempre fez parte da minha vida. Quando fui escolhido para interpretar o Éder comecei a treinar boxe, e o fiz por 11 meses – segui treino e dieta corretamente. Estudei bastante o Éder, vi como ele é, sua forma de falar. Foi demais conhecê-lo. Passei uma semana com ele, saindo e conversando muito; me deixei levar e isso ajudou bastante. O Éder é uma pessoa muito emotiva, que se comove muito com a própria história e fala sobre os pais com os olhos marejados.

Osmar Prado
No começo eu tinha poucas informações sobre Kid, mas fiz o dever de casa. No processo, acabei relembrando e fazendo uma transferência dos conflitos que tive com meu pai quando jovem. Contrariamente ao Kid, o meu não queria que eu fosse artista. [No enredo, Éder abriu mão do sonho de ser arquiteto]. Tivemos grandes embates, assim com os personagens. Essa alusão me auxiliou no aspecto da firmeza na atuação. É claro que, com o tempo, compreendi mais o meu pai; as brigas se desfizeram e conquistei a admiração dele. Foi bonito o amadurecimento que eu tive, assim como o Éder teve. Tivemos nas mãos uma pérola, que fomos polindo com muita delicadeza.

3º round: As filmagens

José Alvarenga Jr.
Fizemos questão de reproduzir locuções originais de rádio para dar emoção às cenas. Para simular a luta com Legra precisamos de cerca de 200 figurantes nas filmagens, e utilizamos truques de câmera para aumentar a plateia. Mas a luta com Joe Medel exigiu um trabalho muito meticuloso de imagens e, principalmente, de som e edição de áudio. Simulada em Los Angeles, tivemos que criar diálogos e gritos da torcida em inglês e espanhol (pois a plateia estava lotada de mexicanos). Outro desafio foi criar uma espécie de “esquecimento” dos resultados das lutas com o público que já acompanhou o Éder e sabia de antemão o que iria acontecer.

Daniel de Oliveira
Foram tranquilas porque treinei bastante e contava com bons profissionais. Muitas vezes eu nem prestava atenção nas câmeras, porque era boxe pra valer, de verdade. Foi muito divertido e prazeroso fazer esse filme.


Osmar Prado
Interpretar um estrangeiro é sempre um desafio, mas tive certa facilidade porque sou descendente de imigrantes espanhóis e italianos. Minha mãe veio para o Brasil da Espanha quando criança, então passei a vida toda ouvindo-a falar com sotaque. Fui escorregando um pouco entre esse jeito de falar e o paulistano, o que deu um colorido legal ao personagem. Uma curiosidade das filmagens é que, como Kid era fumante e eu não fumo há mais de 30 anos, fizeram um cigarro especial para mim, sem nicotina.


4º round: lições aprendidas

José Alvarenga Jr.
Uma das minhas maiores referências em filmes desse segmento foi “Menina de Ouro” (2004), pelas idas e vindas de tempo entre as lutas. Havia uma desconfiança do treinador em relação à lutadora, sem aquele entusiasmo inicial. O rigor que o técnico impõe ao pupilo é a marca do filme. Em “10 Segundos”, o treinador também é o pai do aluno, então a relação afetiva vai mexendo com a profissional. Éder começa a mercê do treinador e pai [Kid Jofre/Osmar Prado]. No decorrer da história ele vai amadurecendo e questionando essa ordem. Depois, com mais autonomia, ele percebe que precisa sim do Kid, mas desejando essa presença. Essa é uma demonstração de crescimento da relação do menino/homem e de seu pai.

Daniel de Oliveira
Temos que saber valorizar nossos heróis, nosso esporte e as pessoas que fazem a diferença no país. Devemos ter mais orgulho de nós mesmos, da nossa história.

Osmar Prado
No esporte, a firmeza e a disciplina são necessárias, mas não se pode perder a sensibilidade. Éder nos mostrou a luta daquele período e, que, com tenacidade, coragem e fé no que acredita, é possível chegar ao topo. Em um esporte que não tinha tradição no Brasil, se tornar campeão é muita coisa. O filme mostra também questões de caráter, pois Éder venceu todas as suas lutas de forma limpa; nunca abusou de golpes baixos, cabeçadas. Ao voltar ao esporte após três anos de pausa, ele foi campeão novamente, mostrando-se resiliente.

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